A EDUCAÇÃO SUPERIOR NO AMAZONAS: OBRIGAÇÃO, NECESSIDADE E COMPETÊNCIA

RESUMO
A avaliação do desempenho das instituições de ensino superior no Brasil é atribuição do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Logo, os agentes cuidadores da educação superior têm as suas responsabilidades competentemente supervisionadas e os resultados precisam aproximar-se da eficácia no período avaliado. Para isso, o MEC orienta os gestores educacionais quanto ao desenvolvimento dos processos e a busca da eficiência teórico-prática do fazer educacional. O critério de atribuir um Índice Geral de Cursos (IGC) às instituições, bem como um Conceito Preliminar de Curso (CPC) aos diferentes cursos, de acordo com o desempenho em diferentes dimensões avaliadas pode até ser discutido, mas não desconsiderado; enquanto não se define outro critério, o IGC e o CPC indicam a qualidade da educação superior de cada instituição avaliada no Brasil. No estado do Amazonas, a avaliação do MEC é fundamental para elevar a qualidade da educação superior e reduzir as diferenças socioeconômicas. Nesse processo de interação entre o MEC e as instituições de ensino superior no estado do Amazonas encontra-se uma ferramenta denominada Comissão Própria de Avaliação (CPA), que constrói um processo de avaliação institucional, fundamentado na colaboração e participação dos integrantes da instituição de ensino superior, de modo democrático e com autonomia suficiente para apoiar a gestão administrativa e acadêmica nas suas tomadas de decisões. Portanto, MEC, agentes cuidadores da educação superior, alunos e colaboradores administrativos, juntos, e de modo multidisciplinar, consolidam a responsabilidade social e o compromisso científico-cultural de uma instituição de ensino superior.
Palavras-chave: Amazonas, Educação Superior, Manaus, MEC, Polo Industrial de Manaus.
________________________________________

ABSTRACT

Performance evaluation of higher education institutions in Brazil’s allocation from the Ministry of Education and Culture (MEC). Therefore, caregivers agents of higher education have their responsibilities competently supervised and results need to approach the efficacy during the study period, for this, the MEC directs educational managers in the development of processes and the search for efficiency theory and practice of doing educational. The criterion to assign a General Index of Courses (IGC) institutions, as well as a Preliminary Course Concept (CPC) at different courses, according to the performance in different dimensions evaluated can even be discussed, but not disregarded, while not define another criterion, the IGC and the CPC indicate the quality of higher education in each institution evaluated in Brazil. In the state of Amazonas, the assessment of ECM is crucial to improve quality of higher education and reducing socioeconomic differences. In the process of interaction between the MEC and the institutions of higher learning in the state of Amazonas is a tool called Self Evaluation Commission (CPA), which constructs a process of institutional assessment, based on the collaboration and participation of members of the School superior, democratic and strong enough to support administrative and academic management in their decision making autonomy mode. Therefore, MEC, caregivers agents of higher education, students and administrative staff together, and multidisciplinary manner, consolidate social responsibility and cultural-scientific commitment to an institution of higher education.

Keywords: Amazon, Higher Education, Manaus, MEC, Industrial Pole of Manaus.

RESUMEN

La evaluación del desempeño de las instituciones de educación superior de asignación del Brasil desde el Ministerio de Educación y Cultura (MEC). Por lo tanto, los cuidadores agentes de educación superior tienen sus responsabilidades de manera competente bajo la supervisión y los resultados que tenga que acercarse a la eficacia durante el período de estudio, para ello, el MEC dirige gestores educativos en el desarrollo de procesos y la búsqueda de la teoría de la eficiencia y la práctica de hacer educativo. El criterio para asignar un Índice General de Cursos (IGC) las instituciones, así como un concepto de curso preliminar (CPC) a diferentes cursos, de acuerdo con el desempeño en diferentes dimensiones evaluadas incluso se puede discutir, pero no tenerse en cuenta, si bien no definir otro criterio, la CIG y el CPC indican la calidad de la educación superior en cada institución evaluada en Brasil. En el estado de Amazonas, la evaluación de ECM es crucial para mejorar la calidad de la educación superior y la reducción de las diferencias socioeconómicas. En el proceso de interacción entre el MEC y las instituciones de educación superior en el estado de Amazonas es una herramienta llamada Comisión de Evaluación sin asistencia (CPA), que construye un proceso de evaluación institucional, basado en la colaboración y participación de los miembros de la Escuela superior, democrática y suficiente para apoyar la gestión administrativa y académica en su modo de autonomía en la toma de decisiones fuertes. Por lo tanto, el MEC, los cuidadores agentes de la educación superior, los estudiantes y el personal administrativo en conjunto, y de manera multidisciplinaria, consolidar la responsabilidad social y el compromiso científico-cultural de una institución de educación superior.

Palabras clave: Amazonas, Educación Superior, Manaus, MEC, Polo Industrial de Manaos.

Introdução

Ao relacionar as instituições de ensino superior que precisam cuidar de algumas incorreções, o Ministério da Educação realiza o trabalho de cuidar do atendimento das necessidades da educação superior no Brasil. Em Manaus, as instituições de ensino superior relacionadas pelo MEC precisam rever seus conceitos, suas competências e suas responsabilidades, para não correr o risco de comprometer o desenvolvimento humano no estado do Amazonas.

A educação superior não é apenas o terceiro nível ou terceiro estágio da educação formal; é a super educação que representa a ligação entre passado, presente e futuro da humanidade, porque ultrapassa o operacional da formação fundamental, o gerencial da preparação para o trabalho de nível médio e adentra a compreensão da busca, da pesquisa e da teorização para criar e recriar conhecimentos.

A super educação, aqui também denominada educação superior, não deve afastar-se ou ser afastada da sua essência de participar da construção do desenvolvimento humano. A educação superior é um processo universal em construção; e, o país, a região e o estado têm a mesma obrigação de manter o processo evolutivo da educação superior no interior das suas fronteiras, para daí inter-relacionar-se com o mundo. Em relação ao grau de necessidade da educação superior, este varia para cada região, estado ou país, pois vai depender do nível de evolução do desenvolvimento humano aqui, ali ou acolá, como consequência do que tem sido construído a partir da educação superior enquanto obrigação. Portanto, a educação superior é uma obrigação universal e uma necessidade regional e local; sabendo-se que o intercâmbio entre o universal, o regional e o local constitui-se no reflexo entre a obrigação e a necessidade representadas pela educação superior.

Na Amazônia, a obrigação da educação superior é intrínseca como em qualquer lugar do mundo; porém, o grau de necessidade de educação superior nessa mesma região é bastante elevado. Ou seja, a Amazônia necessita de educação superior como alimento capaz de transformar o cenário de conhecimentos e de ações de desenvolvimento humano. Pode-se compreender, dessa forma, o quanto a necessidade de educação superior requer responsabilidade dos atores sociais, econômicos e políticos para que o desenvolvimento se efetive na Amazônia. Para Furtado (1998): quando a capacidade criativa do homem se volta para a descoberta de suas potencialidades, e ele se empenha em enriquecer o universo que o gerou, produz-se o que chamamos desenvolvimento (p. 47). A educação superior tem papel preponderante nesse processo de descoberta, pois a ampliação da visão de mundo e das possibilidades de interferir e provocar mudanças em si e nos outros, e nas coisas, ocorre nesse nível de formação e de construção humana.

 

2. Educação Superior e Responsabilidade

A responsabilidade requerida pela necessidade de educação superior na Amazônia deve ser assumida por agentes econômicos (famílias, empresas e governos) competentes. Porque sem competência não há responsabilidade. E quando falta competência na educação superior, também a responsabilidade se faz ausente. Logo, a educação superior entendida como super educação é uma responsabilidade social inter-relacionada com o econômico, o cultural, o político e o tecnológico.

Para ser responsável pela educação superior é preciso antes de tudo ser competente na sua esfera de ação; sejam famílias que assumem as responsabilidades de gerar filhos e educá-los para a vida; sejam empresas que se predispõem a produzir ou a prestar serviços para a satisfação de necessidades humanas. Sejam agentes cuidadores da educação como instituições estabelecidas para possibilitar a realização de práticas sociais, e ainda, diretores, reitores, pró-reitores, coordenadores, supervisores, professores, alunos e trabalhadores da educação; todos esses devem ser competentes nas suas áreas de atuação, porque somente assim serão responsáveis pelas suas práticas na realização da educação superior.

Nesse processo de realizar a educação superior no Brasil, o MEC tem o papel de administrar o grau de competência dos agentes cuidadores da educação no Brasil, de modo a cumprir a obrigatoriedade da educação superior e atender às necessidades de educação superior de cada região, estado e local. Se o Ministério da Educação e Cultura executa ou não o seu trabalho, de forma eficiente, cabe à sociedade organizar-se para supervisionar tal trabalho e provocar a criação da vontade política que, além de fazer nascer a eficiência, tornará a educação superior eficiente no País. O MEC e as instituições de ensino superior buscam a qualidade. Para Masetto (2010):

Desenvolver a qualidade nos cursos de graduação sempre foi uma grande preocupação das instituições de ensino superior no Brasil. Hoje, com a ampliação das políticas governamentais de avaliação e acompanhamento dessas instituições, tanto para seu credenciamento quanto para seu recredenciamento, a partir de referenciais mínimos de qualidade, esta questão reaparece fortalecida (p. 11).

A competência inadequada presente em algumas instituições de ensino superior no Brasil compromete a elevação da qualidade e o consequente desenvolvimento de alguns estados do País. A radiografia dessa ausência de responsabilidade tem sido possível através do Exame Nacional de avaliação de desempenho dos estudantes (ENADE) de nível superior, no qual os conhecimentos revelados têm sido aquém do necessário ao que a obrigação da educação superior requer. O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), tem o objetivo de aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências (BRASIL, 2014, p.1)[i].

 

3. Índices e Conceitos do MEC

Em 2011, o MEC divulgou o Índice Geral de Cursos (IGC) das instituições de ensino superior do Brasil e causou polêmicas sobre a metodologia de cálculo do índice. Paralelamente, a mídia dedicou pouco tempo para discutir o assunto, mas mesmo assim chamou a atenção para a baixa qualidade da educação superior no Brasil. Até que ponto, o MEC tem supervisionado e administrado o trabalho dos agentes da educação superior no Brasil e qual é a responsabilidade de cada um desses agentes?

O IGC não é apenas um número. Porém, é preciso ter cautela no entendimento do caráter alarmista veiculado pela mídia, que utiliza pouco tempo para falar sobre o assunto, mas faz um discurso contundente que põe em dúvida a capacidade de formação de profissionais das instituições de ensino superior com IGC abaixo de 3. Que a educação brasileira de nível superior tem problemas, todos sabem; que esses problemas estão presentes no processo educacional desde o ensino básico, também todos sabem. O que muitas pessoas não sabem, porém, é o que compõe o IGC e como o MEC calcula o IGC para indicar a nota de cada instituição de ensino superior, o qual varia de zero a cinco.

O IGC é composto pela média ponderada do Conceito Preliminar de Curso (CPC) mais a média ponderada das notas da Coordenação de Aperfeiçoamento da Educação Superior (CAPES) dos cursos de mestrado, mais a média ponderada das notas da CAPES dos cursos de doutorado. Por outro lado, é interessante também saber que o CPC é composto pela nota do ENADE mais o Índice de Diferença de Desempenho (IDD) e mais os Insumos da atividade. Assim, o IDD é o resultado da diferença entre a nota que os concluintes do curso obtêm no ENADE e a nota obtida pelos alunos novatos (ingressantes) no mesmo curso; e os Insumos são representados pela nota obtida por um conjunto de itens (titulação dos professores, regime e carga horária de trabalho dos professores, infraestrutura da instituição, recursos didático-pedagógicos etc). Ou seja, o cálculo do IGC tem a sua complexidade.

A complexidade do cálculo do IGC, no entanto, não implica em isentar de responsabilidade qualquer um dos agentes do processo da educação superior no Brasil. Implica, porém, em compreender que faculdades e centros universitários não têm a exigência do MEC para desenvolver programas de mestrado e de doutorado, porque a exigência nesse caso é para a formação de graduados. Portanto, a metodologia de cálculo do IGC utilizada para avaliar universidades juntamente com faculdades e centros universitários pode não ser a maneira mais viável para determinar um índice para essas diferenciadas instituições de ensino superior. Porque somente as universidades têm a obrigação de desenvolver programas de mestrado e doutorado, os quais precisam ser avaliados efetivamente. Vale lembrar ainda uma última consideração sobre a metodologia do IGC, em relação ao ENADE; trata-se da relação entre os alunos e a participação no ENADE, pois nada impede que o aluno seja descompromissado ao realizar a prova do ENADE, ou até mesmo faltar ao ENADE, e tudo isso tenderá a baixar a nota do ENADE do curso. No final, embora nada disso seja considerado como diferenciais, têm-se um número denominado IGC e o julgamento desavisado daquelas instituições agraciadas com IGC menor que 3.

A importância da educação de nível superior no Brasil continua sendo a mesma que o consciente coletivo dos brasileiros tem registrado ao longo da história do País. Da mesma forma, o costume de manter um discurso diferente da prática também continua na área da educação. É importante conhecer a metodologia de cálculo do IGC, não para tornar-se especialista no assunto, mas para participar do processo de busca da equidade e da justiça social responsáveis pela administração do desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

A responsabilidade sobre a construção e os resultados do IGC é do MEC, dos gestores da educação superior no Brasil, dos professores, dos alunos e também da sociedade, pois o processo de formação e de profissionalização desenvolvido durante a educação superior precisa produzir resultados positivos na sociedade brasileira. Logo, cada um desses agentes, na sua esfera de atuação, tem a sua parcela de responsabilidade. Quem autoriza o funcionamento dos cursos superiores é o MEC; quem elabora o Plano de Desenvolvimento Institucional, o Programa Pedagógico do Curso, o Plano de Ensino e o Plano de Aula, são os gestores educacionais, os coordenadores e os professores; paralelamente, quem decide estudar nessa ou naquela instituição de ensino superior é cada um dos candidatos a aluno; e, por último, a sociedade acompanha a formação universitária de diversas formas e precisa indicar as correções necessárias ao detectar equívocos na educação superior.

De qualquer modo, torna-se obrigatório lembrar, principalmente aos alunos do ensino superior, a necessidade de prestar atenção aos comentários e às abordagens apresentadas na mídia sobre os resultados do IGC; porque limitar-se a enfatizar que as instituições de ensino superior que obtiveram IGC inferior a 3 estão desqualificadas e as outras são as qualificadas é uma atitude irresponsável e, decididamente oportunista. O IGC é uma avaliação ou é exame da educação superior do Brasil? Como explica Luckesi (2005):

esses termos – exame e avaliação – expressam conceitos diferentes [...]. Em função do equívoco assinalado, facilmente dizemos que avaliar é muito complicado emocionalmente, devido termos que julgar (aprovar/reprovar) nossos educandos. Essa é a dificuldade do ato de examinar, mas não do ato de avaliar, desde que em avaliação não se julga nem se classifica, mas sim se diagnostica e se intervém em favor da melhoria dos resultados do desempenho dos educandos (p. 20-21).

Logo, o trabalho realizado pelo MEC ora apresenta-se como exame, ora assemelha-se a avaliação das instituições de ensino superior no Brasil. Nesse caso, essas instituições figuram como educandos no processo e tenderão a apresentar melhores resultados após os diagnósticos e as devidas correções, mas não devem ser aprovadas ou reprovadas. Considerando-se a ação do MEC como avaliação externa, essa precisa ser precedida de uma avaliação interna permanente nas instituições de ensino superior (IES). Esse trabalho é realizado atualmente pela Comissão Própria de Avaliação (CPA) existente dentro da IES, que funciona como uma auditora interna da instituição, com o objetivo de construir um processo de avaliação institucional, fundamentado na colaboração e participação dos integrantes da instituição de ensino superior, de modo democrático e com autonomia suficiente para apoiar a gestão administrativa e acadêmica nas suas tomadas de decisões, a partir da indicação e acompanhamento de planos de ações que corrigem processos e mudam comportamentos de gestores, professores, alunos e técnico-administrativos. É a CPA que primeiro avalia internamente a IES; a eficiência e a eficácia desse trabalho têm grande utilidade para os resultados a serem apresentados pela IES, quando da avaliação externa do MEC.

 

4. O papel da Comissão Própria de Avaliação na IES

Entendemos que a CPA tem papel fundamental na instituição de ensino, pois a Comissão Permanente de Avaliação – CPA é o organismo com a atribuição de conduzir os processos de avaliação interna e da sistematização das informações e dados produzidos no processo avaliativo. Segundo o MEC (BRASIL. MEC, 2004), os principais objetivos da autoavaliação são:

produzir conhecimentos, pôr em questão os sentidos do conjunto de atividades e finalidades cumpridas pela instituição, identificar as causas dos problemas e deficiências, aumentar a consciência pedagógica e capacidade profissional do corpo docente e técnico-administrativo, fortalecer as relações de cooperação entre os diversos atores institucionais, tornar mais efetiva a vinculação da instituição com a comunidade, julgar acerca da relevância científica e social de suas atividades e produtos, além de prestar contas à sociedade (p. 9).

De igual modo, a avaliação institucional apresenta-se como um campo de saberes e práticas recentes que tem relevância na expansão da oferta de ensino e das Instituições de Educação Superior (IES). Com a edição da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº. 9.394/1996, fica assegurado um processo nacional de avaliação das IES e a União tem a incumbência de autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino.

Sob esse aspecto, a avaliação das instituições e de cursos deveria ser uma prática processual e renovada, cabendo ao Poder Publico assegurar a qualidade acadêmica das instituições e a consolidação de um sistema de educação superior com alto valor científico e social, bem como a distribuição e o uso adequado dos recursos. Segundo Dias Sobrinho (2001), a avaliação do ponto de vista ético deveria atender ao interesse público, conforme as regras da vida social (p. 16); tal condição pode ser assegurada pelos seus propósitos proativos, natureza participativa, envolvendo a comunidade acadêmica, o setor governamental e a sociedade.

Em muitos momentos a avaliação tem sido usada como uma atividade predominantemente técnica, vinculada às questões operacionais, à mensuração dos resultados. Valorizam-se aspectos quantitativos, em detrimento das suas reais possibilidades de pesquisa, cujo viés principal é gerar informações pertinentes da realidade, com vistas à melhoria dos processos e planos institucionais, da gestão e da prestação de contas à sociedade. Nesse sentido, Dias Sobrinho (1996) destaca que

[...] indicadores quantitativos promovem um balanço das dimensões mais visíveis e facilmente descritíveis, a respeito de medidas físicas, como área construída, titulação de professores, descrição do corpo docente, discente e servidores, relação dos servidores, dos produtos, das formaturas, volume de insumos, expressões numéricas supostamente representando qualidades, como no caso de numero de citações, muitas vezes permitindo o estabelecimento de “ranking” de SINAES na perspectiva de membros da cpa: implantação, condução e avaliação instituições, com sérios efeitos nas políticas de alocação (ou “deslocação”?) de financiamento e como organizador social de estudantes e profissionais (p. 7).

Nesse aspecto, Depresbiteris (2001) propõe que a avaliação da qualidade da educação ocorra concomitante com uma análise do contexto em que o processo educacional se desenvolve, contemplando as duas dimensões: a quantitativa e a qualitativa. Paralelamente à necessidade de se conhecer as especificidades dos estabelecimentos, o que caracteriza uma avaliação em nível micro, é preciso avaliar em nível macro, isto é, realizar avaliação do sistema.

A avaliação institucional, na forma como se delineia nas propostas de avaliação, tem caráter formativo, visando o aperfeiçoamento da comunidade acadêmica e da instituição como um todo. O alcance dos parâmetros de qualidade institucional e educacional advém da necessária mudança e inovação nas IES, cuja premência recai no exercício da avaliação institucional como forma de elaborar um diagnóstico que retrate as potencialidades e fragilidades de cada curso, departamento, unidade no nível micro e macro institucional (LEITE, 2005).

O SINAES (Sistema Nacional de Avaliação na Educação Superior) almeja, como um processo permanente, identificar o perfil institucional e o significado da atuação de todas as IES, por meio de uma proposta de avaliação formativa, regulatória e emancipatória. A proposta é que a avaliação não tenha um fim em si mesma, mas, que seja parte de um conjunto de políticas publicas, sem ser focada apenas nos resultados. Assim, o SINAES busca garantir a integração das dimensões interna e externa, somativa e formativa, qualitativa e quantitativa.

Assim, a avaliação vem se consolidando cada vez mais na agenda das políticas da educação superior, tanto pela relevância que a comunidade acadêmica vem lhe imputando como um fator de legitimação das práticas das IES, quanto pela compreensão da avaliação institucional como processo condicionante da gestão dessas instituições. Entendemos que a avaliação mostra-se como uma atividade essencial, visto que vislumbra a melhoria do processo acadêmico e o aperfeiçoamento da gestão na busca de melhorias para os diversos segmentos envolvidos.

 

5. Considerações Finais

O contexto abordado neste artigo revela a realidade do exame ou da avaliação das instituições de ensino superior no Brasil, embora o foco seja a necessidade e a obrigação da educação superior no estado do Amazonas, maior unidade federativa em área territorial no Brasil .

Como o grau de necessidade de educação superior na Amazônia é bastante elevado, e, particularmente, o estado do Amazonas pertence à região; o fato de algumas instituições de ensino superior do Amazonas estar na relação de ineficientes do Ministério da Educação é preocupante e requer, no interior de cada uma dessas instituições, correções das incompetências para criar e aumentar as responsabilidades dos agentes comprometidos. Pois, se a educação superior define a velocidade do desenvolvimento humano da região e do Estado, qualquer entrave na obrigação, na necessidade e na competência para e com a educação superior no Amazonas aumenta os prazos para a consecução de diversos objetivos de desenvolvimento, explícitos e implícitos na Política de Incentivos Fiscais da Zona Franca de Manaus, no Plano Diretor da cidade de Manaus, no Macrozoneamento Ecológico-Econômico da Amazônia, no Plano de Desenvolvimento Sustentável Integrado da Região Metropolitana de Manaus, no Plano Estratégico do Amazonas e também no Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia.

No início da segunda década do século XXI, portanto, descortinam-se novos horizontes para a educação superior no estado do Amazonas. Cada agente responsável pela educação superior nesse Estado tem a responsabilidade de cuidar para que a educação superior, nos limites do seu território, não seja prejudicada com o fechamento de instituições de ensino superior estabelecidas há décadas na sua capital. O desafio está posto, mas é preciso valorizar as competências para que as responsabilidades dos agentes sejam assumidas e transformem as práticas atuais na educação superior no estado do Amazonas. Um bom começo para tudo isso é acabar com o discurso de que algumas instituições privadas de ensino superior no Amazonas representam uma família. Cada instituição de ensino superior é constituída por equipes trabalho; é uma empresa. Cada uma dessas instituições tem tarefas, atribuições e responsabilidades sociais específicas, mas os objetivos são comuns a todas elas, porque são objetivos institucionais subordinados ao mesmo nível de responsabilidade social. Nenhuma instituição de ensino superior, seja pública ou privada, é uma família; e nem o MEC é pai ou mãe de qualquer instituição de ensino superior no Brasil, para relevar incompetências e irresponsabilidades que podem comprometer o desenvolvimento entre gerações.

 

6. Referências

BRASIL. Ministério da Educação. SINAES: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior: bases para uma nova proposta de avaliação da educação superior brasileira. Brasília, DF, 2003.

BRASIL. Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior. Diretrizes para a avaliação das instituições de educação superior. Brasília, DF, 2004.

BRASIL, 2014. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. http://portal.inep.gov.br/enade. Acesso em 06 de março de 2014.

DEPRESBITERIS, Lea. A avaliação na educação básica: ampliando a discussão. Estudos em Avaliação Educacional. São Paulo, n. 24, p. 137-146, jul./dez.2001.

DIAS SOBRINHO, Jose. Avaliação: técnica e ética. Avaliação: Campinas, SP, v. 8, n. 2, p. 7-19, set. 2001.

DIAS SOBRINHO, J.; BALZAN, N. C. (Org.). Avaliação institucional: teoria e experiência. São Paulo: Cortez, 1996.

FURTADO, Celso. O capitalismo global. São Paulo: Paz e Terra, 1998.

INEP. SINAES: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior: da concepção à regulamentação. 4. ed. ampl. Brasília, DF, 2007.

LEITE, Denise. Reformas universitárias: avaliação institucional participativa. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem na escola: reelaborando conceitos e recriando a prática. Salvador: Malabares, 2005.

MASETTO, Marcos Tarciso. P professor na hora da verdade: a prática docente no ensino superior. São Paulo: Avercamp, 2010.



[i] http://portal.inep.gov.br/enade. Acesso em 06 de março de 2014.

Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Brandão Barbosa, Evandro y da Rocha Pietzsch, Madalena: "A educação superior no Amazonas: obrigação, necessidade e competência" en Atlante. Cuadernos de Educación y Desarrollo, abril 2014, en http://atlante.eumed.net/educacao-superior-amazonas/

Atlante. Cuadernos de Educación y Desarrollo es una revista académica, editada y mantenida por el Grupo eumednet de la Universidad de Málaga.