EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO CURSO DE PEDAGOGIA: UM ESTUDO DE CASO

RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo principal conhecer a formação dos estudantes do curso de Pedagogia da Faculdade Ateneu sobre educação inclusiva. Para realizar o presente trabalho, partiu-se da metodologia de cunho qualitativo, em que se utilizou uma pesquisa bibliográfica, com consultas a livros de autores especialistas em educação inclusiva, e pesquisa documental, averiguando a grade curricular do curso. Com a análise dos resultados da pesquisa, foi possível conhecer os pontos fortes do curso e os débeis, com a finalidade de dar subsídios para preparar profissionais aptos a oportunizar aos portadores de necessidades especiais educacionais (PNEE) a inclusão, ou seja, a inserção no convívio com os pares.

Palavras-chave: Educação Inclusiva. Grade Curricular. Formação.

ABSTRACT
This work aims at knowing the training of students of the Faculty of Pedagogy Athenaeum on inclusive education. To perform this work, broke a qualitative methodology, which used a literature search, consultation with the authors of books on inclusive education experts, and documentary research by examining the curriculum of the course. With the analysis of the survey results, it was possible to know the strengths of the course and the weak, in order to give grants to prepare professionals to create opportunities to people with special educational needs (PSENs) inclusion, ie the insertion socializing with peers.

Keywords: Inclusive Education. Curriculum. Training.

1 INTRODUÇÃO
Hoje a Educação Inclusiva apresenta-se como um desafio para os sistemas de ensino que procuram, além de combater as discriminações existentes na sociedade, preparar profissionais aptos a trabalhar com um público tão especial.
Durante muitos anos, a escola se organizou como um sistema excludente, privilegiando poucos e excluindo uma maioria ao acesso da escolarização, tendo como aporte as políticas públicas em vigência. A partir da democratização do ensino, foi possível extinguir este paradigma da inclusão/exclusão, construindo uma escola que acolhe a todos.
Mesmo assim, ainda se encontram processos excludentes nos sistemas educacionais, muitas vezes por falta de profissionais aptos a lidar com esta nova modalidade de educação.
Por isso se procurou, por meio deste trabalho, realizar uma pesquisa para conhecer até que ponto o Curso de Pedagogia da Faculdade Ateneu propiciará conhecimentos e aprendizagens sobre a Educação Inclusiva aos alunos que ali estão em processo de formação, que atuarão futuramente como professores em salas de aulas e que poderão ter alunos portadores de necessidades educacionais especiais, a fim de com eles aplicar os conhecimentos adquiridos durante sua permanência como aluno da instituição.
Inicialmente se buscou conhecer a grade curricular do Curso de Pedagogia, que em sua estrutura possui duas disciplinas as quais contemplam diretamente estudos voltados à Educação Inclusiva, sendo as disciplinas de Libras e Educação Especial, cada uma com carga horária de 60 horas aula.
O estudo sobre a Educação Inclusiva é essencial para a formação do educador atual, já que hoje a inclusão faz parte de políticas do governo federal, cabendo às instituições prepararem profissionais aptos a atuar nesta área. Nesta direção, é importante salientar que a grade curricular de um curso atende a uma organização já delimitada pelo Ministério da Educação, enviada em seu projeto de autorização, mas que podem ser elaborados cursos de extensão ao longo do curso os quais possam complementar a aprendizagem do aluno nessa área.
Espera-se que o estudo ora realizado possa abrir espaço para novas discussões e abordagens sobre o tema da inclusão, no Curso de Pedagogia, e que possam surgir mais conteúdos voltados para o estudo dos portadores de necessidades educacionais especiais pelo aluno/professor formado pela instituição supracitada. Para tanto, partiu-se da seguinte pergunta problematizadora: qual a formação oferecida aos estudantes do Curso de Pedagogia da Faculdade Ateneu sobre a educação inclusiva?
Baseando-se, no objetivo geral, buscou-se conhecer a formação dos estudantes de Pedagogia sobre educação inclusiva da Faculdade Ateneu. Por conseguinte, os objetivos específicos são: verificar a carga horária destinada à formação do estudante/docente na Educação Inclusiva; conhecer as disciplinas que abordam a temática de Educação Inclusiva no Curso de Pedagogia da Faculdade Ateneu.
2 EDUCAÇÃO INCLUSIVA
A educação inclusiva é uma modalidade de ensino que busca incluir crianças portadoras de necessidades educacionais especiais junto a outras crianças. Essa inclusão acontece tanto na escola pública como na escola privada, sendo, portanto, indispensável que as escolas busquem os recursos necessários para que todas as crianças possam usufruir de uma mesma aprendizagem.
O processo de inclusão busca ao máximo compreender as capacidades da criança portadora de deficiência no ensino regular, procurando a satisfação pessoal e a inserção social de todos, pois, segundo Vygotsky, “o desenvolvimento cultural é a esfera principal de onde é possível a compensação da deficiência” (VYGOTSKI, 1995, p. 153). Este mesmo doutrinador preleciona que:
A educação das crianças com diferentes defeitos deve basear-se no fato de que simultaneamente com o defeito estão dadas também as tendências psicológicas de uma direção oposta; estão dadas as possibilidades de compensação para vencer o defeito e de que precisamente essas possibilidades se apresentam em primeiro plano no desenvolvimento de crianças e devem ser incluídas no processo educativo como sua força motriz. (VYGOTSKI, 1995, p. 32).

Na educação inclusiva, a aprendizagem é recíproca, visto que novas racionalidades vão se desenvolvendo. Na concepção Vygostshyana, entende-se que a participação inclusiva dos alunos é um aprendizado para todos. O professor como educador tem que saber observar e compreender como cada criança que apresenta um diagnóstico relacionado a uma deficiência que se desenvolveu, pois é um dos fatos que leva a saber como acorre e acontece o desenvolvimento da criança. É importante que o educador tenha teoria e entenda sobre os transtornos, mas vai muito além disso, visto que o profissional tem de saber identificar a criança que tem a deficiência, conhecê-la, ajudá-la no seu desenvolvimento e superar as próprias dificuldades bem como auxiliar o aluno a vencer as dele.
Desse modo, Vygotski (1995, p. 83) “Considerava que um ser absolutamente adaptado não teria impulsos para desenvolver-se e que na inadaptação encontra-se uma fonte de possibilidades de desenvolvimento.”
Para Vygotsky (1995), existem dois tipos de deficiência: a primária que é quando a criança já nasce com a deficiência; e secundária que acontece quando a criança não consegue se adaptar ao contexto em que vive. Quando a deficiência é primária, a educação, a pedagogia e a psicologia pouco podem fazer por essa criança; já quando é secundária, o sistema educacional pode ajudar na inserção da criança na cultura a qual faz parte.
Sobre a importância da relação social, pode-se afirmar que:
[…] a falta de relações sociais se constitui como um problema superior em termos qualitativos a própria deficiência orgânica e biológica. O grande problema do atraso cognitivo, motor e psíquico dos portadores de necessidades especiais se deve, no seu entender, a uma ausência de educação, considerada em termos amplos, libertária, crítica, democrática e efetivamente humanizadora. É assim que uma deficiência primária se transforma também em deficiência secundária, que a lesão cerebral se converte em deficiência mental e que a cegueira se transforma em uma total perda de visão de qualquer aspecto da realidade. (PICCOLO, 2009 apud VYGOTSKY, 1995).
Vários são os mecanismos que auxiliam os portadores de necessidades especiais, como o sistema de linguagem de LIBRAS, adaptado aos surdos, o método BRAILLE, para os cegos, as diversas próteses construídas para os paralíticos, para aqueles que faltam algum membro inferior ou superior, entre outros. Assim, “Os processos de compensação não são governados rumo a uma suposta cura ou complementação do defeito, mas, sim, a sua superação através de novas conexões interfuncionais, ou seja, a supressão das dificuldades originadas pelo defeito”. (PICCOLO, 2009 apud VYGOTSKY, 1995).
A educação inclusiva foi preconizada quando a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi publicada em 1948, estabelecendo que os direitos humanos são fundamentais para todos os indivíduos. Os documentos mais importantes que falam sobre inclusão são: a Declaração Mundial de Educação para Todos de 1990, a Declaração de Salamanca de 1994 e a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Descriminação contra a Pessoa Portadora de Deficiência de 1999.
A base da educação inclusiva é considerar as diferenças de cada criança, sabendo que cada uma aprende de uma forma diferente. Colocar os PNEE numa sala de aula comum, de uma escola comum, ainda não é a inclusão, é preciso prover a escola de materiais especializados para cada tipo de alunos com necessidades educacionais especiais, além de preparar a escola com estrutura física adequada (alargamento portas, rampas, sinalização tátil, visual e sonora, banheiros equipados com barras, entre outros), adaptando-a para receber qualquer aluno com necessidades especiais.
Nos anos setenta, as escolas adotaram o processo de integração. Nesta época, as crianças só eram aceitas nas escolas se tivessem condições de acompanhar o ritmo de desenvolvimento da maioria dos alunos. Por outro lado, nos anos oitenta, esse método foi questionado, e já nos anos noventa surge um novo método, que é o da inclusão, percebendo que a diferença não é da pessoa, e sim, da sociedade de compreender a necessidade da pessoa.
Na Antiguidade, as crianças que nasciam com deficiência eram sacrificadas, pois se entendia que era uma mal para toda a humanidade. Na Idade Média, as crianças que nasciam com algum tipo de deficiência eram mantidas isoladas e tratadas como se fossem um animal.
No final do século XX, a sociedade, de um modo geral, passou a entender que as pessoas com necessidades especiais tinham o direito de viver junto a outras pessoas inseridas na sociedade, mas, ao chegar ao século XXI, ainda se encontram famílias que preferem esconder as crianças que nascem com algum tipo de necessidade especial.
Para Mantoan (2005, p. 25), “Pensar em inclusão é desenvolver a capacidade de entender e de reconhecer o outro, e assumir o privilégio de conviver e compartilhar com as diferenças. A escola inclusiva acolhe todas as pessoas”. Com a política de inclusão do governo federal, as escolas devem se adaptar a todas as crianças independentemente de suas necessidades, seja ela, deficiente ou criança de rua, de “populações imigradas ou nômades, crianças de minorias linguísticas, étnicas ou culturais e crianças de áreas ou grupos desfavorecidos ou marginalizados” (Declaração de Salamanca, UNESCO, 1994, p. 3). A inclusão educacional da criança com deficiência dá a ela direito à justiça, à interação e à igualdade social.
A educação inclusiva é um assunto que abrange e envolve várias estratégias, inúmeras atividades, trata-se de fazer alterações no sistema escolar, e não o aluno se adaptar ao sistema já existente. Falar de educação inclusiva não é um assunto que abrange só a escola, e sim uma iniciativa de toda a família e de toda a comunidade. O conceito da educação inclusiva ainda está em desenvolvimento, portanto colocar esses conceitos em prática ainda é visto como uma prática introdutória de técnicas e métodos que leva a criança a desenvolver-se individualmente.

2.1 Educação para todos
Na Conferência de Dakar, que aconteceu em 2000 para apresentar e avaliar a EPT (Educação para todos), estabeleceu-se que o compromisso de garantir que os objetivos e as metas da EPT sejam alcançados e mantidos é do governo, mas essa responsabilidade é apoiada pela cooperação de agências e por instituições regionais e internacionais. Assim, comprometeu-se também “criar ambientes seguros, saudáveis, inclusivos e equitativamente dotados de recursos, que conduzam a excelência na aprendizagem e níveis de desempenho claramente definidos para todos”. Ainda se declara que “A fim de atrair e manter as crianças de grupos marginalizados e excluídos, os sistemas educativos devem responder de forma flexível. Os sistemas educativos devem ser inclusivos, ao procurarem ativamente as crianças que não estão matriculadas e ao responder de forma flexível às circunstâncias e necessidades de todos os alunos”. A educação inclusiva ainda está voltada para a deficiência e não para a educação para todos.
A Conferência de Salamanca, em 1994, confirma que a inclusão é um movimento que busca melhorias no sistema educacional, de modo que seja vista como um processo que consiste em atender e dar resposta à diversidade de necessidades de todos os alunos por meio de uma participação cada vez maior na aprendizagem, culturas e comunidades, e reduzir a exclusão da educação e no âmbito da educação. Isso envolve modificação de conteúdos, abordagens, estruturas e estratégias, com uma visão comum que abranja todas as crianças de um nível etário apropriado e a convicção de que educar todas as crianças é responsabilidade do sistema regular de ensino.
A inclusão deve possibilitar àqueles que são descriminados por ter uma deficiência à inserção social. “Em um sentido mais amplo, o ensino inclusivo é a prática da inclusão de todos independentemente de seu talento, deficiência, origem socioeconômica ou origem cultural em escolas e salas de aula provedoras, onde todas as necessidades dos alunos são satisfeitas” (KARAGIANNIS; STAINBACK, W.; STAINBACK, S, 1999, p. 21).
O conceito de inclusão ainda está voltado para a deficiência e não para a inclusão da criança. A educação inclusiva abrange todos aqueles que vêm de uma família pobre, os que pertencem a um grupo indígena, as crianças que têm dificuldade de aprender e todos os demais que abrangem esses conceitos de inclusão. A educação inclusiva, segundo Skrtic (apud STAINBACK, 1999, P. 31), é mais do que um modelo educacional. É um novo paradigma de pensamento e de ação, com o intuito de incluir todos os indivíduos em uma sociedade na qual a diversidade humana está cada vez mais sendo valorizada e se tornando mais norma do que exceção.
A proposta de inclusão não é só o aluno que deve se mostrar capaz de vencer os desafios, mas a própria escola de ser ajustada e estruturada em função do aluno. Está-se vivenciando uma fase de transição entre a integração e a inclusão. Portanto, é aceitável que, na prática, ambos os processos sociais existam por mais um tempo até que, gradativamente, a integração esmaeça e a inclusão prevaleça (SASSAKI, 2006, p. 41).
O Governo Federal por intermédio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização Diversidade e Inclusão (SECADI) disponibiliza vários programas de ação com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento inclusivo dos sistemas de ensino, promovendo a educação inclusiva, bem como valorizando as diferenças e as diversidades. Entre vários programas, podem ser destacados os seguintes.
• Programa Escola Acessível: traz acessibilidade aos ambientes físicos das escolas públicas de ensino regular e ainda proporciona recursos didáticos pedagógicos.
• Transporte escolar acessível: disponibiliza transporte diário aos alunos com necessidades especiais.
• Salas de recursos multifuncionais: estão disponíveis, em escolas públicas de ensino regular, equipamentos de informática, espaço físico adequado, material pedagógico e professores qualificados para o desenvolvimento de alunos com transtornos globais, deficientes e de altas habilidades.
• Formação continuada de professores na educação especial: oferece cursos de aperfeiçoamento e especialização a distância e presencial a professores da educação básica, para atuar em salas multifuncionais e comuns do ensino regular.
• BPC na escola: basicamente fiscaliza a frequência dos alunos com deficiência, e identifica as dificuldades do dia a dia a fim de evitar a evasão escolar.
• Acessibilidade à educação superior: visa a garantir a adequação dos espaços físicos das instituições federais para os portadores de deficiência.
• Livro acessível: voltado aos deficientes visuais, proporcionando material didático adequado.
• Prolibras: capacita professores no uso e ensino de libras, assim como na tradução e interpretação.
Destarte, no Brasil, a política nacional da educação especial, na perspectiva da educação inclusiva, dá acesso ao ensino regular aos alunos com deficiências mentais e físicas, a surdos e cegos, além de alunos com TGD (Transtornos Globais do Desenvolvimento). Esses Transtornos Globais do Desenvolvimento são distúrbios nas interações sociais que englobam diferentes problemas tais como: as psicoses infantis, o autismo e as síndromes de Asperger, Kanner e Rett.
2.2 Formações Docente X Educação Inclusiva
O processo de inclusão ainda faz parte de uma perspectiva nova, em que os professores sentem dificuldades nesse processo, muitas vezes se sentem incapazes e impotentes para lidar com essa realidade. Cada profissional na área de educação tem sua didática e seu modo particular de dar sua aula. Contudo, quando se fala de educação inclusiva, esses métodos têm que ser realmente avaliados.
No uso de estratégias diversificadas, um dos métodos que se pode utilizar, para ter um ambiente de cooperação entre os alunos, é colocar aqueles que têm um bom desenvolvimento para ajudar os que têm dificuldades.
O ensino cooperativo é um tipo de ensino em que os professores, tanto os de sala de aula comum quanto os de sala especial, utilizam-no para trabalhar juntos. Segundo dados da USP (Universidade de São Paulo), em 2005, existem três formas diferentes de organização:
• Atividades complementares: enquanto o professor do ensino regular assume, por exemplo, as atividades e os conteúdos da área acadêmica, o professor do ensino especial ensina alguns alunos a identificar as ideias principais de um texto, a fazer resumos, enfim, a dominar as técnicas de estudo;
• Atividades de apoio à aprendizagem: os dois professores ensinam os conteúdos acadêmicos, enquanto o professor do ensino regular é responsável pelo núcleo central do conteúdo, pela matéria essencial, o professor do ensino especial encarrega-se de dar apoio suplementar a qualquer aluno que dele necessite, individualmente ou em pequenos grupos;
• Ensino em equipe: o professor da classe regular e o professor do ensino especial planejam e ensinam em conjunto todos os conteúdos para todos os alunos, responsabilizando-se por cada um deles e por uma determinada parte do currículo ou por diferentes aspectos das matérias de ensino. O sucesso desse método pode depender de dois fatores: que os professores façam seus planejamentos juntos e a compatibilidade entre os meios que os dois usam para dar aula, ou seja, os métodos e estilos de aulas.
No processo de inclusão, não só o professor de ensino regular deve ser preparado para atender os PNEE, mas também os professores especialistas em educação especial devem ampliar suas ações.
É importante também que a formação de professores possa ser realizada no próprio local de trabalho, assim facilitando a troca de experiência, o que acaba tornando mais fácil a construção dos saberes pedagógicos.
Paulo Freire fornece algumas pistas acerca dessa complexidade quando assegura que “ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição de qualquer forma de discriminação”. Em suas palavras, uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar as condições em que os educandos em suas relações uns com os outros e todos com o professor ensaiam a experiência profunda de assumir-se. Contudo, assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva por que é capaz de amar. Segundo Battisti (2010), “Assunção de nós mesmos não significa a exclusão dos outros”.
O professor em uma sala inclusiva deve agir normalmente, conversar com os alunos, brincar quando for necessário, ser amigo e repreender quando for preciso. O professor deve tratar os alunos com necessidades especiais da mesma forma que trata os ditos normais, a única diferença é que a didática da aprendizagem deve ser diferenciada, assim o aluno estará, de certa forma, relacionando-se em um convívio social sem a descriminação.
Este fato é bastante interessante na medida em que a socialização é um aspecto importante para uma inclusão escolar bem-sucedida, pois a convivência dos alunos com necessidades educacionais especiais em ambientes comuns e as interações sociais que se estabelecem servem para aumentar uma variedade de habilidades comunicativas, cognitivas e sociais, bem como para proporcionar aos alunos proteção, apoio e bem-estar no grupo. (STAINBACK; STAINBACK, 1999)
As práticas pedagógicas devem ser sempre diferenciadas, claro que isso vai de acordo com cada aluno, assim o professor precisa saber organizar as situações de ensino para que tenham um bom resultado para todos. A diferença é a organização das aulas que deve ocorrer de modo que todos interajam.
Diferenciar o ensino é organizar as interações de modo que cada aluno se defronte constantemente com situações didáticas que lhe sejam mais fecundas [...]. Implica, pois, o desenvolvimento de caminhos diversos para que os alunos consigam atingir as metas escolares, por meio de um acompanhamento e percursos individualizados. (PERRENOUD, 19995, p. 28-29)
Nessa perspectiva de inclusão, os professores devem estar preparados para lidar com as diferenças, principalmente quando se fala de inclusão. No decorrer do processo de escolarização, podem surgir dificuldades, mas não há necessidades de excluir o aluno do processo de aprendizagem. Tanto os profissionais de educação de sala comum quanto os de educação especial poderiam trabalhar juntos, elaborar seus planos de aula em conjunto, podendo ajudar os profissionais de educação especial a fazer a diferença em sala de aula.
Para garantir o êxito dos trabalhos na escola inclusiva, algumas considerações devem ser consideras: apoio de especialistas, unificando os dois sistemas e adaptando-os às necessidades de todos os alunos; potencialização das formas de intervenção, isto é, aplicação dos sistemas consultivos e de intervenção direta em sala de aula comum por meio do ensino cooperativo; adoção de uma nova organização escolar, propondo a colaboração, o ajuste mútuo, as formas interdisciplinares e o profissionalismo docente. (DENARI, 2006, p. 36)
É muito importante salientar que a formação do professor deve estar também voltada para as mudanças e que o sistema escolar tem de contar com o apoio dos pais. É importante ressaltar que a formação dos professores deve ser voltada para a educação inclusiva e não voltada somente para uma ou mais disciplinas, mas sim para uma formação que está pautada nos princípios da educação inclusiva, garantindo, assim, um bom desempenho na questão da qualidade de ensino.
O futuro da educação inclusiva em nosso país dependerá de um esforço coletivo, que obrigará a uma revisão na postura de pesquisadores, políticos, prestadores de serviços, familiares e indivíduos com necessidades educacionais especiais, a fim de trabalhar uma meta comum: a de garantir uma educação de melhor qualidade para todos. (MENDES, 2004, p. 228)
Muitos professores têm dificuldades na questão de introduzir o desenvolvimento das crianças com necessidades especiais no ensino regular, e muitos dos profissionais preferem adotar o sistema de inclusão excludente, por mais que haja a boa vontade de receber, acaba ignorando as necessidades e diferenças desses alunos. Muitos profissionais se sentem inseguros ao ver o sistema de inclusão no ensino regular, e isso acaba representando um grande desafio a ser enfrentado. Muitos também não recebem ajuda de pessoas especializadas na área nem recursos que possam ajudar a proporcionar essa educação inclusiva.
Os professores alegam (com toda razão) que em seus cursos de formação não tiveram a oportunidade de estudar a respeito, nem de estagiar com alunos da educação especial. Muitos resistem, negando-se a trabalhar com esse alunado enquanto outros os aceitam, para não criarem áreas de atrito com a direção das escolas. (CARVALHO, 2004, p. 27)
Os professores que acabam recebendo os alunos com necessidades especiais são pedagogos ou licenciados em outra área e não têm nenhum tipo de formação na área de educação especial. É importante ressalvar que os gestores os quais são, na maioria das vezes, responsáveis pela formação dos professores têm um desafio muito maior do que os próprios professores, o de oferecer recursos e suportes para que a proposta possa ser correspondida.
Por ser desenvolvimental, a aprendizagem da docência requer tempo e recursos para que novas concepções, novos valores, novas técnicas sejam confrontadas com as que já temos e comprovem sua eficácia na situação de atuação. Assim, não basta, para mudar a prática, aprender novas vertentes teóricas ou aprender novas técnicas. Quando um professor deseja ou precisa fazer mudanças e desenvolver novas práticas para contemplar exigências sociais ou políticas públicas, ele precisa fazer revisões conceituais, entre elas, aquelas sobre o processo educacional e instrucional e sobre os suportes teóricos da própria atuação profissional. (TANCREDI, REALI e MIZUKAMI, 2005, p. 1)
É importante que o profissional da educação conheça os conteúdos, mas também é preciso adaptar seus conhecimentos de conteúdos específicos ao nível do conhecimento dos alunos para que possa ser interpretado pelo docente, isso por meio de estratégias apropriadas e bem elaboradas.
A inclusão no sistema escolar mostra um novo modelo de educação. Os professores, de certa forma, são abrigados a aderir esse novo modelo, claro que o profissional em sua formação não teve instrução para lidar com as diversas formas de inclusão, pois a formação da educação especial não está direcionada a todos os professores, mas sim àqueles que gostam da temática e se especializaram no assunto. Dessa maneira, os professores passam a ter dificuldades de participar da inclusão. Com a formação diferenciada, a inclusão acaba perdendo seu espaço e fortalecendo a exclusão.
A formação diferenciada para professores de uns e professores de outros somente vem reforçar o modelo capitalista de produção baseado na eficiência, na seleção dos melhores e na exclusão social de muitos e fundado em visão ‘desfocada’ da realidade e do indivíduo, estamos assim, correndo o risco de estar institucionalizando a discriminação já no ponto de partida da formação dos professores, e negando, portanto, o princípio de ‘integração’, não só do deficiente na rede regular de ensino, como também do profissional da educação na realidade educacional existente – não só nas escolas, mas também nas classes especiais, nas instituições especializadas etc. Estamos negando a esses profissionais o privilégio e o desafio de conviver com a diferença. (CARTOLANO, 1998, p. 38)

Aprender a ensinar exige disposição para enfrentar e superar barreiras do desconhecido e do diferente, sendo assim a profissão do docente pressupõe muitos graus de incertezas e na mesma proporção a possibilidade de aprender a lidar com diversas situações. Assim a aprendizagem do docente se desenvolve no decorrer de sua carreira, construindo seu conhecimento e modificando-se com o contexto de atuação.

3 METODOLOGIA
Como opção metodológica, a pesquisa destaca-se como qualitativa e descritiva. Assim se optou por fazer um trabalho bibliográfico e documental. Para tanto, foi realizada uma consulta e análise da grade curricular do Curso de Pedagogia da Faculdade Ateneu.

4 ANÁLISE DA INFORMAÇÃO
De acordo com os objetivos desta pesquisa, destacam-se as disciplinas da grade curricular a contemplar a educação inclusiva da Faculdade Ateneu:
• Fundamentos e métodos da educação especial e educação inclusiva;
• Libras – Língua brasileira de sinais.
Conforme ementa da primeira disciplina citada, percebe-se que a educação especial e a educação inclusiva oferecem assuntos visando à construção de uma prática pedagógica a qual favorece o acesso, a permanência e o sucesso do aluno com necessidades educativas especiais, sustentadas em princípios éticos e na aceitação da diversidade humana, em seus aspectos sociais, culturais e pessoais. Por outro lado, a disciplina de Língua Brasileira de Sinais (Libras) é destinada somente aos portadores de necessidades auditivas, visando aos fundamentos legais, aos parâmetros da língua de sinais, às noções de saudações e apresentação, à conversação, ao vocabulário e à gramática. Assim, pode-se asseverar que a carga horária destinada à inclusão é de 120 horas-aula.
Nessa direção, Santos (2002) defende que a formação dos professores deve incluir cadeiras que abordem a temática da educação inclusiva, para que todos os profissionais tenham conhecimentos específicos sobre a temática assim fortalecendo a inclusão no ensino regular. O supracitado autor ainda assevera que a “Pedagogia é o único curso de nível superior que possui instrumentos teóricos e experiência na formação de docentes do ensino especial e do ensino regular, capaz de ‘consagrar’ uma formação coerente com os pressupostos da proposta da Educação Inclusiva”.
Tabela 1: Quadro de disciplinas do curso de Pedagogia.
DISCIPLINAS CARGA HORARIA
Filosofia da educação 60
Fundamentos da pedagogia 60
Leitura e produção de texto 60
Metodologia do trabalho científico 60
Pesquisa e prática pedagógica I 120
Historia da educação 60
Informática aplicada à educação 60
Língua portuguesa: conteúdo e métodos 60
Pesquisa prática pedagógica II 120
Psicologia da educação 60
Didática 60
Estrutura e funcionamento da educação básica 60
Matemática: conteúdos e métodos 60
Sociologia e antropologia da educação 60
Pesquisa e prática pedagógica III 120
Alfabetização e letramento: métodos e perspectivas 60
Ciência: conteúdos e métodos 60
Educação de jovens e adultos: métodos e fundamentos 60
Avaliação organização e planejamentos em educação 60
Educação inclusiva 60
Educação indígena e no campo 60
Estágio supervisionado I 100
Estágio supervisionado II 100
Estágio supervisionado III 100
Ética profissional 60
Fundamentos da educação infantil 60
Fundamentos das séries iniciais 60
Fundamentos de gestão escolar 60
Fundamentos e metodologia das atividades culturais e artísticas 60
Geografia conteúdos e métodos 60
Historia conteúdos e métodos 60
Leitura infanto-juvenil 60
Libras 60
Ludicidade e recreação 60
Meio ambiente e sustentabilidade 60
Multiculturalismo, diversidade e relações ético-raciais 60
Pesquisa prática pedagógica IV 120
Pesquisa prática pedagógica V 120
Pesquisa prática pedagógica VI 120
Pesquisa prática pedagógica VII 120
Política educacional Brasileira 60
Comunicação oficial 60
Fonte: http://fate.edu.br/web/
É importante salientar que as disciplinas: Pesquisa e Prática Pedagógica II, III, IV, V, VI, VII e os Estágios Supervisionados I, II, III, por mais que não sejam diretamente destinadas à educação inclusiva, estas disciplinas podem abordar o tema da inclusão, haja vista que estas são disciplinas em que o aluno pode explorar com mais liberdade a temática a pesquisar.

CONCLUSÃO
Verifica-se nesta pesquisa que o processo de educação inclusiva não é tão fácil, pois existem muitas dificuldades a serem enfrentadas pelos professores. Também se percebe que o processo de inclusão busca integrar as crianças especiais e portadoras de deficiências junto com as outras crianças ditas normais. Esse processo está sendo trabalhado tanto nas instituições públicas como nas privadas, e as possíveis dificuldades não são tanto por formação de profissional, mas sim, muitas vezes, por falta de estrutura física, por falta de material didático. Estas, sim, são as maiores dificuldades de trabalhar com a inclusão. A falta de estrutura, em relação à assistência e ao nível de materiais a serem oferecidos para ser usados em sala de aula, representa uma grande carência e um imenso obstáculo.
De acordo com o objetivo geral inicialmente traçado, nota-se que tanto a carga horária como as disciplinas que tratam da inclusão parecem diminutas para a formação do pedagogo. Todavia, com as disciplinas complementares de pesquisa e estágio, o aluno poderá completar a formação. Assim, conforme os objetivos específicos do trabalho, é possível perceber que as disciplinas destinadas à educação inclusiva, como, “Fundamentos e métodos da educação especial” e “Educação Inclusiva e Libras – Língua Brasileira de Sinais”, com a carga horária de 120 horas-aula, abordam o assunto e fornecem possibilidades de crescimento, de acordo com o interesse científico de cada discente. Foram destacadas algumas disciplinas (Pesquisa e prática pedagógica e Estágios supervisionados) que podem contemplar a educação inclusiva, por proporcionar ao aluno um maior conhecimento do assunto, visto que, nestas disciplinas, o educando pode direcionar seus estudos, ficando a critério do aluno a escolha de temas a ser trabalhado.
Contudo, percebe-se que a formação dos estudantes sobre educação inclusiva do Curso de Pedagogia da Faculdade Ateneu concentra-se formalmente em duas disciplinas, sendo disponibilizados trabalhos de pesquisa e estágios, tendo a livre decisão dos alunos para investigar a prática sobre a temática em questão. Portanto, conclui-se que a prática aliada à teoria é o modelo ideal para construir uma formação sólida dos novos educadores.

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Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Graymison Xavier, Antônio,Garcia, Antônio,Ribeiro, Diana y de Souza Barcelar, Lucicleide: "Educação inclusiva no curso de pedagogia: um estudo de caso" en Atlante. Cuadernos de Educación y Desarrollo, noviembre 2014, en http://atlante.eumed.net/educacao-inclusiva/

Atlante. Cuadernos de Educación y Desarrollo es una revista académica, editada y mantenida por el Grupo eumednet de la Universidad de Málaga.