SUPORTE SOCIAL E DESEMPENHO PROFISSIONAL: UM ESTUDO COM PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DA CIDADE DE SÃO PAULO

Resumo: Não são recentes os estudos que abordam suporte social e desempenho humano tanto no âmbito nacional quanto no internacional. Estudos que contemplem esses dois construtos associados a professores ou a qualquer outro tipo de profissão ou profissional também não é algo novo. Esse estudo teve como objetivo investigar até que ponto a percepção de suporte social, recebida ou não, por um professor universitário da cidade de São Paulo pode influenciar seu desempenho profissional no dia a dia dentro de sala de aula. A pesquisa foi feita a partir da colaboração de 48 professores universitários de ambos os sexos, de diferentes idades e com titulação variando desde graduados até pós-doutorado, que participaram do estudo respondendo 8 perguntas de múltipla escolha que visavam apresentar dados que pudessem ajudar na validação do objetivo. Para ajudar a fundamentar os dados encontrados foi feito um levantamento bibliográfico a partir da utilização de livros, artigos, monografias, teses e dissertações adquiridas de fontes seguras de consulta como, por exemplo, Medline, Lilacs, Bireme, Scielo, Google Acadêmico, Biblioteca das Universidades Federais, etc. Com base nos resultados encontrados nesse estudo espera-se que seja possível oferecer aos estudiosos e interessados no assunto uma melhor conceituação teórica bem como diferentes contribuições acadêmicas.

Palavras-chave: Suporte social, desempenho profissional, professores universitários

SOCIAL SUPPORT AND PROFESSIONAL PERFORMANCE: A STUDY WITH TEACHERS UNIVERSITY OF SÃO PAULO CITY

Abstract: The studies on social support and human performance both within national and internationally are not recent. Studies that address these two constructs associated with teachers or any other profession or is not something new. This study aimed to investigate the extent to which the perception of social support, received or not, by a university professor in the city of São Paulo can influence their professional performance on a daily basis within the classroom. The survey was conducted from the collaboration of 48 university teachers of both sexes, of different ages and with academic title ranging from graduates to post-doctoral, who participated in the study by answering eight multiple choice questions aimed at presenting data that could help in the validation the goal. To help support the data found a literature review was made from the use of books, articles, monographs, theses and dissertations acquired from reliable sources consultation, for example, Medline, Lilacs, Bireme, SciELO, Google Scholar, the Library Federal Universities, etc. Based on the results found in this study is expected to be able to offer scholars and interested in the subject better theoretical conceptualization and different academic contributions.

Key-words: Social support, job performance, university professors

Introdução

Parece haver um consenso que cada vez mais as pessoas passam menos tempo em casa com seus familiares em decorrência do trabalho, e por isso parece ser possível afirmar que todos têm cada vez menos tempo para fazer tudo que é preciso no decorrer do dia, seja no campo pessoal ou mesmo no profissional.

Essa realidade atinge praticamente todos os profissionais das mais variadas áreas de atuação nesse novo milênio, e com os professores não é diferente, pois o ser professor reflete uma realidade nos dias atuais que faz com que esse profissional tenha que se deslocar por diversas partes da cidade em um mesmo dia, tendo como a única certeza diária um trânsito caótico e estressante, para lecionar em diferentes instituições de ensino espalhadas por todas as regiões da cidade de São Paulo.

Segundo Goulart Junior; Lipp (2008) algumas profissões parecem deixar seus profissionais mais vulneráveis no que diz respeito à exposição ao estresse em relação a outras.

Por sua natureza, o magistério é, reconhecidamente, uma profissão estressante. No seu cotidiano de trabalho o professor se depara com muitas variáveis que podem contribuir para o desequilíbrio de sua saúde física e mental, levando-o a desenvolver o processo de estresse (GOULART JUNIOR; LIPP, 2008).

Uma alternativa encontrada por muitos professores é buscar auxílio, para pelo menos amenizar os efeitos dos desgastes decorrentes de sua profissão, a partir de sua rede social que de alguma maneira é capaz de lhe proporcionar algum tipo de suporte quando ele necessita de algum tipo de ajuda.

Diversas áreas do conhecimento têm ao longo dos anos demonstrado interesse pelo estudo e pela análise das redes sociais, e a antropologia, a sociologia e a psicologia talvez sejam as que mais têm apresentado pesquisas sobre o tema (SIQUEIRA; PADOVAM, 2007).

Uma definição para redes sócias foi apresentada pelas autoras que afirmam que:

Redes sociais são definidas como uma teia identificada de relações sociais que circunda um indivíduo, bem como as características dessas ligações, compondo-se do conjunto de pessoas com quem alguém mantém contatos sociais (SIQUEIRA; PADOVAN, 2007, p. 66).

O que se espera quando se precisa de algum tipo de apoio advindo de sua rede social é que ela realmente seja capaz de trazer um pouco de conforto ou ainda amenizar possíveis situações que de alguma forma possam afetar sua vida pessoal, e com isso afetar também seu desempenho profissional, no caso específico desse estudo o desempenho docente em sala de aula.

O presente estudo se insere nessa linha e pretende investigar os processos relacionados às formas de suporte social que esses profissionais percebem em relação à sua rede social e de que forma isso pode ou não influenciar em seu desempenho profissional dentro da sala de aula.

Apesar do estresse não ser objeto de estudo desse artigo, em muitas pesquisas sobre suporte social e desempenho profissional de professores ele aparece como um dos constructos que mais afeta o desempenho desses profissionais em sala de aula, e ao mesmo tempo, é possível observar sua diminuição em pessoas que relatam possuir altos níveis de suporte recebido de sua rede social (Cohen, 1996; Ribeiro, 1999).

Suporte Social

            De acordo com Siqueira; Padovam (2007) foi na década de 70 do século passado que os primeiros estudos sobre suporte social surgiram, quando pesquisadores como Cobb (1976) e Cassel (1976) sugeriram que havia relação entre laços sociais e saúde.

É possível encontrar na literatura disponível, tanto no âmbito nacional como no internacional, diferentes definições bem como inúmeras terminologias para definir suporte social (RIBEIRO, 2009).

Matsukura; Marturano; Oishi (2002) lembram também que apesar de alguns autores brasileiros direcionarem seus objetos de pesquisa para aspectos teóricos relacionados ao suporte social, em outras partes do mundo é mais comum encontrar material de estudo sobre o tema.

De acordo com Siqueira; Padovam (2007) o indivíduo tende a confirmar seus julgamentos, validar suas crenças e justificar sua conduta quando de alguma forma sente a aprovação de outras pessoas. Mas as autoras afirmam também que para sustentar suas convicções perante outras pessoas, é preciso que esse indivíduo receba apoio social.

Para Cobb (1976) são três as classes de crenças que permitem que uma pessoa acredite em suas convicções no que se refere ao suporte social: as convicções que o indivíduo tem de que é amado e de que existem pessoas que de alguma forma se preocupam com ele; as convicções de que ele é valorizado e apreciado; e por último as convicções de que pertence a uma rede social.

Com isso, parece possível afirmar que suporte social é um conceito psicológico de natureza cognitivista, pois conglomera uma articulação composta por três classes de crenças (SIQUEIRA; PADOVAM, 2007).

DIMENSÕES DE SUPORTE SOCIAL

            Rodriguez; Cohen (1998) afirmam que existem três dimensões distintas para o suporte social. Os autores afirmam ainda que essas três dimensões representam os diferentes tipos de recursos que podem ser ofertados ou disponibilizados para os indivíduos a partir de sua rede social.

Entre os pesquisadores que se interessam pelo assunto, não existe ainda um consenso quanto às dimensões de suporte social, no entanto, vários teóricos apontam como talvez a sua principal dimensão o suporte emocional, seguido do suporte instrumental (SIQUEIRA, PADOVAM, 2007).

Para efeito de um melhor entendimento e de fixação do conceito, vejamos cada uma das três dimensões sugeridas pelos autores separadamente:

Suporte Emocional

Para Siqueira; Padovam (2007) suporte emocional é aquele suporte das pessoas com quem o indivíduo mantém vínculos mais próximos e fortes, ou seja, aquelas pessoas que o individuo sabe que pode contar e que confia. São aquelas pessoas que normalmente nos ouvem e nos apoiam quando necessitamos e que de alguma forma mantemos vínculos de amizade.

Para as autoras, esse tipo de suporte envolve tanto a comunicação verbal quanto a comunicação não verbal, e pode ser recebido de amigos íntimos, familiares ou ainda de colegas de trabalho, ou seja, são pessoas que normalmente o próprio indivíduo escolhe para compor sua rede social e desse modo fornecerem suporte emocional.

Siqueira; Padovam (2007) definiram assim o construto:

Suporte emocional é estar presente, confortar, dar segurança e atenção em uma situação delicada pela qual um indivíduo esteja passando. Ele pode auxiliar na recuperação da autoestima da pessoa ou ainda, reduzir sentimentos pessoais de inadequação reforçando sua dignidade (SIQUEIRA; PADOVAM, 2007).

Estudos de Helgeson; Cohen (1996) e Ribeiro (1999) entre outros dão indícios de que é possível reduzir os riscos de depressão e de estresse em pessoas que relatam possuir altos níveis de suporte emocional. É possível também melhorar a autoestima do indivíduo, além de fortalecer suas relações interpessoais.

Suporte Instrumental

            O suporte instrumental, também conhecido como suporte estrutural está diretamente relacionado com os diferentes tipos de auxílios tangíveis disponibilizados pela rede social ou ainda por alguma instituição de um indivíduo, e que de alguma forma é percebido por ele (RODRIGUEZ; COHEN, 1998).

Esse tipo de suporte está relacionado com os recursos materiais necessários para que uma pessoa consiga superar algum tipo de dificuldade que tenha relação com o que foi exposto anteriormente (SIQUEIRA; PADOVAM, 2007).

Imagine que uma pessoa precise da ajuda de alguém para busca-lo no aeroporto ao chegar tarde da noite, ou outro exemplo mais simples, que essa pessoa precise de algum dinheiro emprestado…

Esses dois exemplos foram utilizados pelas autoras para um melhor entendimento e para uma melhor fixação do conceito.

Suporte Informacional

            O suporte informacional, a terceira dimensão de suporte social, muitas vezes acaba sendo incluído na mesma categoria do suporte instrumental conforme explicam Siqueira; Padovam (2007).

Esse tipo de suporte está relacionado com as informações que o indivíduo recebe de sua rede social e que de alguma forma sejam importantes para ele.

Essas informações podem estar relacionadas com os mais variados temas e assuntos, como por exemplo, saúde, trabalho, lazer e ralações sócias, só para citar alguns exemplos (RODRIGUEZ; COHEN, 1998).

DESEMPENHO PROFISSIONAL

            Apesar das mudanças que a globalização trouxe para o cenário organizacional em meados da década de 90, a preocupação em avaliar o desempenho das pessoas remonta de épocas um pouco mais distantes.

Segundo Bohlander; Snell; Sherman (2003) o governo federal americano começou a avaliar o desempenho de seus funcionários no ano de 1842, após a aprovação de uma lei pelo Congresso que tornou, a partir de então, obrigatórias as revisões de desempenho para os funcionários do departamento. A lei aprovada dizia ainda que as revisões deveriam ser anuais.

Mas afinal de contas o que vem a ser desempenho? O Idicionário Aulete de Língua Portuguesa (2014) define desempenho, entre outras definições apresentadas, como sendo execução ou modo de executar uma tarefa ou atividade.

Cada vez mais o mercado de trabalho busca pessoas que apresentem resultados diferentes dos aceitáveis até o final do século passado, ou seja, cresce cada vez mais a busca por pessoas que apresentem desempenho superior e dessa forma consigam contribuir positivamente com os resultados esperados.

No que diz respeito ao profissional docente, essa afirmação também é verdadeira, afinal de contas cada vez mais esse profissional se vê forçado a enfrentar salas de aula muitas vezes com mais de cem alunos, e o que se espera desse profissional é que seu desempenho seja tão bom quanto o desempenho de um profissional que atuava do século passado, mesmo sabendo que havia menos alunos para ele dar conta por sala de aula.

Parece possível afirmar, no entanto que a tecnologia de alguma forma acabou se tornando uma aliada nesse novo contexto, porém, por outro lado, o professor como qualquer outro profissional desse novo tempo, acabou por se tornar refém das ferramentas que a priori surgiram para auxiliá-lo, e muitas vezes o que surgiu para auxiliar acaba por sufocar as pessoas no desempenho de suas funções.

Para Medeiros; Albuquerque (2005) é o comprometimento o fator significativo na geração de altos níveis de desempenho. No novo milênio, mesmo com a presença de outros fatores igualmente importantes como, por exemplo, a remuneração, o comprometimento ainda assim é entendido como fator primordial quando se estuda o que pode realmente apresentar melhoria no desempenho dos indivíduos (MACIEL; CAMARGO, 2011).

Muitas vezes, porém o indivíduo precisa de ajuda até mesmo para comprometer-se, por isso optou-se pelo estudo do desempenho associado ao suporte social, pois parece possível afirmar, a partir das pesquisas realizadas, que pessoas que relatam ter alguém por perto quando se necessita de auxílio, pode representar a diferença entre o que o mercado busca, ou seja, profissionais com desempenho acima do esperado, e profissionais que não conseguem ir além do mínimo esperado, ficando muito aquém do que se espera de um profissional quando se pensa em seu desempenho profissional.

Método

Segundo Hubner (2001, p. 41) o método pode ser descrito como uma seção fundamental em qualquer projeto de pesquisa e teses em geral. Ainda segundo a autora, no método deve ser explicitada a lógica da ação a ser seguida pelo pesquisador, além dos principais fenômenos a serem estudados, suas ramificações, inter-relações e a forma de se obtê-los.

O delineamento dessa pesquisa se deu a partir de um estudo de caso, com suporte de um questionário. O estudo de caso “é a pesquisa sobre determinado indivíduo, família, grupo ou comunidade que seja representativo de seu universo, para examinar aspectos variados de sua vida.” (CERVO; BERVIAN; DA SILVA, 2007, p. 62).

O questionário “refere-se a um meio de obter respostas às questões por uma fórmula que o próprio informante preenche”. (CERVO; BERVIAN; DA SILVA, 2007, p. 53).

Também foi realizada uma pesquisa bibliográfica que se desenvolveu a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos, com a finalidade de ampliar e aprofundar os conhecimentos sobre o objeto estudado (GIL, 2008).

Participantes

            Participaram deste estudo 48 professores universitários da cidade de São Paulo, de ambos os sexos e com diferentes titulações. Todos foram escolhidos por conveniência, sendo 28, que representa 58,33% da amostra do sexo masculino e 20, que representa 41,67% da amostra do sexo feminino.

Com relação à idade, sete participantes, 14,58% dos participantes informaram ter entre 20 e 30 anos de idade, participantes, 62,50% têm entre 31 e 50 anos de idade e onze participantes, que representa 22,92% da amostra relataram ter mais de 50 anos de idade.

Outro dado coletado diz respeito a maior titulação obtida e três participantes, que corresponde a 6,25% disseram que possuem apenas a graduação, quinze participantes, que corresponde a 31,25% relataram possuir como maior titulação Pós Graduação Lato Sensu, vinte e quatro participantes, que corresponde a 50% informaram que possuem Mestrado, cinco participantes, que corresponde a 10,42% Doutorado e apenas dois participantes do estudo, que corresponde a 4,17% disseram possuir como maior titulação Pós-Doutorado.

            Ao analisar os dados contidos na tabela 1 é possível observar que, mesmo tendo participantes que têm como sua maior titulação variando entre graduação e pós-doutorado, a grande maioria dos participantes do estudo (50%) é composta por pessoas que informaram ter como maior titulação pós-graduação stricto sensu, ou seja, pessoas que possuem diploma de mestre em alguma área do conhecimento.

 

Procedimentos

Todos os participantes foram escolhidos com base nos seguintes critérios: Estarem atuando como professores universitários na cidade de São Paulo, em faculdades, centros universitários ou universidades públicas ou privadas, em qualquer área e com qualquer formação acadêmica, desde que variando entre graduado e pós-doutor.

Os dados foram coletados a partir da utilização de um questionário disponibilizado na internet e o objetivo geral foi verificar até que ponto o professor universitário que vive e trabalha na cidade de São Paulo, percebe o suporte recebido de suas redes de relacionamento pessoal (família, amigos, colegas de trabalho), e de que forma isso pode ou não influenciar em seu desempenho profissional.

DISCUSSÃO E Análise DOS DADOS

A tabela 2 apresenta o tempo que os participantes da pesquisa atuam como docentes separados em três categorias distintas. A primeira categoria representa os profissionais que atuam a menos de cinco anos como docentes. Essa categoria é composta por 13 profissionais que representa 27,08% dos participantes.

A segunda categoria relatou atuar entre seis e quinze anos como docente e fazem parte desse grupo 24 profissionais, que representa 50%, enquanto o restante dos participantes, 11 profissionais, que representa 22,92% da amostra, relatou atuar a mais de quinze anos como docente.

Um dado interessante e que merece ser destacado na tabela 2 é o fato da grande maioria ter entre 6 e 15 anos na docência. Huberman (2000) em seus estudos sobre o processo evolutivo na profissão docente destaca que esse processo é composto cinco fases distintas que são respectivamente:

Fase 1: A entrada na carreira (de 1 a 3 anos de profissão)

Essa fase se caracteriza pelo momento em que uma pessoa opta por ingressar na carreira docente, não possuindo, no entanto um papel definido até então. Esse fato faz com que essas pessoas tendam a adotar diferentes posturas e papéis antes que uma postura definitiva seja adotada.

Fase 2: Estabilização (de 4 a 6 anos de profissão)

Essa fase se caracteriza pelo fato do comprometimento definitivo com a profissão acontecer. Para o autor, é nessa fase que a identidade profissional é escolhida, ou seja, é quando realmente se constitui o desenvolvimento do profissional docente.

Fase 3: Diversificação e experimentação (de 7 a 25 anos de profissão)

Essa fase se caracteriza por apresentar a maior duração em tempo na carreira docente, e basicamente apresenta três tipos básicos de professor: a. profissional de ensino que investe seu potencial na carreira docente; b. profissionais que preferem investir seu potencial nas práticas administrativas; c. profissionais que aos poucos vão reduzindo suas atividades acadêmicas por exercer alguma atividade paralela.

Fase 4: Serenidade e distanciamento afetivo (de 25 a 35 anos de profissão)

Essa fase se caracteriza pelo fato de que a essa altura de sua vida profissional, o docente está preocupado em conseguir estabilizar sua situação financeira para poder estar preparado para a fase seguinte.

Fase 5: Preparação para a aposentadoria (de 35 a 40 anos de profissão)

Essa fase se caracteriza por uma tendência ao descomprometimento devido ao fato de ser um momento de reflexão sobre a carreira.

Com base na teoria de Huberman (2000), exatamente metade dos participantes desse estudo está atualmente na fase três, diversificação e experimentação, ou seja, em um momento de definição sobre qual o melhor caminho a seguir na carreira, e esse dado pode ser importante na hora da interpretação de outros resultados que serão apresentados mais a frente.

A tabela 3 diz respeito às pessoas de sua rede social com quem o indivíduo pode contar no momento de comemorar alguma alegria ou realização.

28 profissionais participantes da pesquisa, que representa 58,33%, relataram que sempre podem contar com alguém de sua rede social para comemorar alguma alegria ou realização, 19 profissionais participantes da pesquisa, que representa 39,58% relataram que algumas vezes podem contar com alguém de sua rede social para comemorar alguma alegria ou realização enquanto 1 profissional participante da pesquisa, que representa 2,08% relatou que nunca pode contar com alguém de sua rede social para comemorar alguma alegria ou realização.

            De acordo com Lopes; Riberio, Cunha (NO PRELO) a etimologia da palavra rede é oriunda do Latim rete, e significa o entrelaçamento de fios com aberturas regulares formando uma espécie de tecido.

            Nas organizações, no entanto a palavra “rede” é utilizada há bastante tempo, principalmente após o início da chamada “Era da Informação” que trouxe novas tecnologias e ferramentas que mudaram as formas com que as organizações passaram a estabelecer relações entre si (CASTELLS, 2000).

Segundo Minarelli (2000), as pessoas se relacionam com outras pessoas desde o seu nascimento, e esse convívio acontece em três diferentes níveis de relacionamento:

Grupo primário: é aquele formado pelas pessoas mais próximas, aquelas com as quais se tem forte envolvimento emocional e disposição imediata de colaborar e compartilhar objetivos comuns.

Grupo secundário: é aquele formado por relações mais formais e menos íntimas.

Grupo de referência: são as pessoas de nossas redes individuais, pois seus valores e suas expectativas ordenam nosso padrão de comportamento.

Dessa forma a tabela 3 mostra que a grande maioria dos participantes desse estudo tem pelo menos uma pessoa em um desses diferentes níveis de relacionamento, como ressalta Minarelli (2001), e dessa forma parece ser possível afirmar que por esse motivo elas podem contar com alguém em momentos em que precisam do apoio ou suporte de alguém.

            A tabela 4 refere-se as pessoas com quem os participantes relataram poder contar no momento em que se sentem tristes e precisam ser consolados.

19 profissionais participantes da pesquisa, que representa 39,58%, relataram que sempre podem contar com alguém de sua rede social quando se sentem tristes e precisam ser consolados, 26 profissionais participantes da pesquisa, que representa 54,17% relataram que algumas vezes podem contar com alguém de sua rede social quando se sentem tristes e precisam ser consolados enquanto apenas 4 profissionais participantes da pesquisa, que representa 8,33% relataram que nunca podem contar com alguém de sua rede social quando se sentem tristes e precisam ser consolados.

            Merece destaque nesse item o fato de mais de 90% dos participantes do estudo relatar poder contar com alguém de sua rede social em momentos de tristeza onde precisem de algum tipo de suporte ou ser consolados, enquanto apenas 8,33% relataram não poder contar com ninguém em momentos mais difíceis onde precisam de alguém para dividir suas tristezas.

            Parece ser possível afirmar que para os quatro participantes que relataram não poder contar com ninguém em momentos que por algum motivo se sentem tristes, há um forte indício de falta total de sentimento de suporte social, porém, não é objetivo desse estudo tentar buscar o entendimento sobre o porquê dessas pessoas relatarem total sentimento de ausência de suporte.

            Essa constatação pode ser melhor evidenciada quando se observa os dados que foram coletados inseridos na tabela abaixo.

            A tabela 5 diz respeito as pessoas com quem os participantes relataram poder contar no momento em que precisam de sugestões sobre sua carreira e seu futuro.

17 profissionais participantes da pesquisa, que representa 35,42%, relataram que sempre podem contar com alguém de sua rede social quando precisam de sugestões sobre sua carreira e seu futuro, 30 profissionais participantes da pesquisa, que representa 62,50% relataram que algumas vezes podem contar com alguém de sua rede social quando precisam de sugestões sobre sua carreira e seu futuro enquanto apenas 1 profissionais participantes da pesquisa, que representa 2,08% relataram que nunca podem contar com alguém de sua rede social quando precisam de sugestões sobre sua carreira e seu futuro.

Os dados da tabela 5 mostram que os resultados coletados são muito parecidos com os dados da tabela anterior, porém, o fato positivo é que em relação às sugestões sobre a carreira ou o futuro, apenas uma pessoa relatou nunca poder contar com alguém para dar sugestões quando precisa.

A tabela 6 diz respeito à percepção do profissional participante da pesquisa quanto ao suporte recebido por sua rede social e de que forma isso interfere positivamente em seu desempenho dentro da sala de aula.

4 profissionais participantes da pesquisa, que representa 8,33%, relataram que discordam totalmente que o suporte recebido por sua rede social interfira positivamente em seu desempenho como professor. 3 profissionais participantes da pesquisa, que representa 6,25% relataram que discordam moderadamente que o suporte recebido por sua rede social interfira positivamente em seu desempenho como professor. Outros 3 profissionais participantes da pesquisa, que representa 6,25% relataram que discordam levemente que o suporte recebido por sua rede social interfira positivamente em seu desempenho como professor.

7 profissionais participantes da pesquisa, que representa 14,58% relataram que nem concordam nem discordam que o suporte recebido por sua rede social interfira positivamente em seu desempenho como professor.

6 profissionais participantes da pesquisa, que representa 12,50% relataram que concordam levemente que o suporte recebido por sua rede social interfira positivamente em seu desempenho como professor. 18 profissionais participantes da pesquisa, que representa 37,50% relataram que concordam moderadamente que o suporte recebido por sua rede social interfira positivamente em seu desempenho como professor. 7 profissionais participantes da pesquisa, que representa 14,58% relataram que concordam totalmente que o suporte recebido por sua rede social interfira positivamente em seu desempenho como professor.

A grande maioria dos participantes desse estudo acredita, com crenças variando entre leve, moderada e total que, o suporte recebido de sua rede social, de alguma forma tende a interferir de maneira positiva em seu desempenho no dia a dia dentro da sala de aula.

Em uma pesquisa com 635 professores universitários brasileiros, de todas as regiões do Brasil, realizada por Rowe; Bastos (2010), porém observou-se que quanto maior o vínculo instrumental, ou seja, aquele tipo de vínculo que se caracteriza pelo fato do indivíduo continuar na organização ou instituição em que trabalha devido ao fato de não possuir outra alternativa de trabalho, menor é seu desempenho acadêmico.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse estudo tinha como objetivo principal levantar dados que pudessem mostrar, a partir da percepção de professores universitários que atuam em instituições de ensino superior na cidade de São Paulo, se o suporte social recebido (ou não) por eles, pode de alguma maneira influenciar ou interferir em seu desempenho profissional no dia a dia em sala de aula.

Com base no procedimento metodológico descrito e utilizado nessa pesquisa, parece possível afirmar que o profissional que tem pessoas em sua rede com que pode contar, nos mais variados e diferentes momentos de sua vida, seja no campo pessoal ou mesmo no profissional, tende a desempenhar melhor seu papel como docente, que leva a outra reflexão pertinente, mas que não faz parte do objeto de estudo dessa pesquisa que se refere ao fato de que a vida pessoal e a profissional caminham juntas, parecendo possível afirmar também que uma tem poder de impactar na outra.

Não se pode, porém creditar as questões relacionadas ao desempenho profissional de uma pessoal apenas as questões de suporte recebidas ou não. Existem diversos fatores que podem contribuir ou não com o resultado do desempenho de uma pessoa, como por exemplo, o clima organizacional, a motivação, sistemas de remuneração, sensação negativa relativa a justiça, só para citar alguns motivos, e existe vasta literatura abordando esses e outros casos que podem afetar o desempenho profissional não só de professores universitários como também de outros profissionais.

É importante ressaltar que o suporte social por caracterizar-se em estar presente, confortar, dar segurança e atenção em uma situação delicada pela qual um indivíduo esteja passando como muito bem definem Siqueira; Padovam (2007) não é restrito apenas as pessoas que compõem o quadro que se vê fora do ambiente de trabalho, a definição mostra que é possível também encontrar esse suporte dentro do ambiente de trabalho advindo de colegas ou ainda da própria chefia.

Desse modo, outro ponto que parece possível afirmar é que as organizações e as instituições sejam elas públicas ou privadas, que investem em programas de apoio ou suporte as pessoas que em algum momento passam por dificuldades e necessitam de alguém que possa confortá-las, tende a conseguir melhores resultados e por que não dizer maior comprometimento por parte dessas pessoas.

Uma sugestão é que os RH’s tenham maior autonomia e dessa forma tenham condições não só criar como também colocar em prática programas que visem melhorar de verdade a vida dessas pessoas no ambiente de trabalho, sejam programas de higiene, segurança e qualidade de vida no trabalho que Chiavenato (2010) classifica como um dos processos de Gestão de Pessoas de manter pessoas ou programas de remuneração diferentes dos programas tradicionais associados ao cargo e que não atendem mais aos anseios das pessoas.

É como nos apresenta Marras (2002) ao falar sobre organizações que praticam diferentes modalidades de remuneração:

Atualmente as organizações tendem a praticar alguma modalidade de remuneração estratégica como forma de alavancar os seus resultados de curto, médio e longo prazos. Elas partem do princípio que, por meio desses sistemas de remuneração, conseguem energizar a organização ao ponto de oferecer o plus necessário à obtenção de um nível de produtividade e competitividade exigidos pelo atual contexto globalizado dos negócios (MARRAS, 2002, p. 170).

Assim, com base na definição dos autores e com os resultados encontrados nesse e em outros estudos sobre o tema, é possível acreditar que a união de esforços dentro e fora do ambiente de trabalho, com ações das pessoas que compõem a rede social de uma pessoa, pode trazer resultados positivos ao desempenho profissional.

Dessa forma o que se espera é que a partir dos resultados apresentados nesse estudo é que seja possível surgir novas e maiores contribuições sobre o tema.

Por esse motivo, a sugestão final que se deixa para os futuros pesquisadores ou interessados no assunto, diz respeito fundamentalmente às questões metodológicas no sentido de seu aprofundamento. Em estudos futuros sugere-se primeiramente o aumento no número de participantes, pois acredita-se que assim e a partir de um maior número de contribuições e percepções sobre um mesmo tema, seja possível apresentar uma melhor interpretação dos dados do assunto aqui iniciado e que como já foi muito bem lembrado, não se pretende esgotar.

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Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Ribeiro, Paulo y Siqueira Jimenes, Gabrielle: "Suporte social e desempenho profissional: um estudo com professores universitários da cidade de São Paulo" en Atlante. Cuadernos de Educación y Desarrollo, marzo 2015, en http://atlante.eumed.net/desempenho-profissional/

Atlante. Cuadernos de Educación y Desarrollo es una revista académica, editada y mantenida por el Grupo eumednet de la Universidad de Málaga.