AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM EM CURSO DE BACHARELADO EM TURISMO: ESTUDO DE CASO DE UMA INSTITUIÇÃO FEDERAL DE ENSINO SUPERIOR DO NORDESTE BRASILEIRO

RESUMO
O artigo aqui apresentado aborda a temática avaliação de aprendizagem. Inicialmente abordaram-se as diferentes teorias que embasam a pesquisa e diante dos temas abordados chegou-se a seguinte questão problema: Como acontece a avaliação da aprendizagem no Curso de Bacharelado em Turismo da instituição escolhida? Como objetivo geral do trabalho tem-se analisar a prática da avaliação da aprendizagem no curso de turismo de uma instituição federal de ensino superior do nordeste brasileiro. Utilizou-se a pesquisa exploratória, para tanto algumas considerações foram observadas, mesmo sendo um grande desafio e sem ter cem por cento de certeza que o aprendizado do aluno possa ser medido, as metodologias de avaliação utilizadas pelos professores, acredita-se que se conseguiu, além de motivar muito alunos, melhorar o desempenho dos discentes e contribuir para aumentar a qualidade dentro do curso, com bons resultados.
PALAVRAS-CHAVE: Avaliação. Aprendizagem. Instituição de Ensino Superior.

EVALUATION OF LEARNING IN A UNIVERSITY COURSE IN TOURISM BACHELOR: CASE STUDY OF A FEDERAL INSTITUTION OF HIGHER EDUCATION OF BRAZILIAN NORTHEAST

ABSTRACT
The article presented here deals with the evaluation of learning thematic. Initially addressed is the different theories that underpin the research and on the topics addressed was reached following issue question: As it happens the assessment of learning in the Bachelor of Tourism from the institution? As a general objective of the study has been to analyze the practice of assessing learning in tourism course of a federal institution of higher education in northeastern Brazil. We used the exploratory research, some considerations for both were observed, even though a great challenge and not without a hundred percent sure that student learning can be measured, the valuation methodologies used by teachers, it is believed that it could and motivate many students, improve the performance of learners and contribute to increase the quality within the course, with good results.
KEYWORDS: Evaluation. Learning. Higher Education Institution.

INTRODUÇÃO

A cada dia que passa as Instituições de Ensino Superior vem tentando se sobressair em qualidade e excelência devido a tantas concorrências no mercado da educação. Para tantos as mesmas estão se utilizando de um mecanismo fundamental para que haja um retorno positivo diante dos demais: a avaliação de aprendizagem.

A escolha desse tema se deu diante dos desafios que as instituições de ensino vem passando, sendo que a avaliação da aprendizagem é um deles, pois avaliar não é uma coisa fácil, pelo contrário é muito complexa, principalmente quando se trata da aprendizagem. Necessita-se de um julgamento amplo em relação ao aprendizado do aluno, sendo o professor o propulsor de ensinamentos como: pensar, prender, perguntar, debater e acima de tudo entender os conteúdos ministrados, fazendo uma relação com o cotidiano e com temas atuais, saber se esse ensinamento está sendo satisfatório, ou se realmente o aluno está compreendendo o aprendizado é um desafio que é feito através da avaliação.

A avaliação da aprendizagem não se traduz em aspectos formais e instrumentais, se resultam basicamente de encaminhamento teórico-metodológicos pautados em diferentes pressupostos teóricos. Ou seja, nada na prática, apenas teorias a serem confirmadas.

Sabe-se que apesar dos modelos de aprendizagem ser dotados de regras internacionais, a avaliação da aprendizagem servirá para obter informações a respeito da capacidade do aluno diante de questões norteadoras sobre a atualidade. Um dos instrumentos que serve de base para essa avaliação de aprendizagem é o Exame Nacional do Ensino Médio-ENEM.

Nesse sentido, todas as maneiras de se avaliar o corpo discente devem ter em sua ênfase caminhos e enfoques que permitam aos avaliados, no caso, os alunos a entenderem a autenticidade da aprendizagem e a também aos avaliadores orientarem os resultados para o aperfeiçoamento do aluno.

Para tanto muitas IES sentem-se obrigadas a fazerem tal avaliação, pois na contemporaneidade o uso de tal mecanismo se faz necessário diante do mercado da educação, pois a partir daí várias questões estão em jogo juntamente com o aprendizado do aluno. A avaliação da aprendizagem para muitos serve como uma competição saudável entre seus avaliados, uma ferramenta construtiva para motivação e serve para melhorar e inovar no ensino.

O propósito mais relevante da avaliação é o melhoramento da aprendizagem dos alunos, da atuação do professor e do programa currículo/escola. Essa avaliação deve ser ponderada, ou seja, pelo fato dela ser complexa, a mesma tem que levar em consideração alguns aspectos importantes como: ser útil, justa, sistemática, contínua e integral.

Diante das afirmações anteriores chegou-se ao seguinte problema de pesquisa: como acontece a avaliação da aprendizagem no Curso de Bacharelado em Turismo de uma instituição federal de ensino superior? Como objetivo geral do trabalho tem-se analisar a prática da avaliação da aprendizagem no curso de bacharelado em turismo dessa instituição de ensino superior do nordeste brasileiro (por uma questão de ética o nome da instituição será preservado). E como objetivos específicos têm-se identificar a importância atribuída pelos educadores a avaliação da aprendizagem, descrever os tipos de avaliação da aprendizagem que são trabalhadas no curso pesquisado, identificar se a avaliação da aprendizagem é utilizada como indicador de qualidade para o curso pesquisado.

Para realização do trabalho e atingir os objetivos propostos buscou-se uma pesquisa bibliográfica exploratória, assim como questionários aplicados junto aos professores do curso, na Instituição de ensino superior aqui estudada.

O trabalho encontra-se estruturado em quatro partes.  A primeira trata-se da introdução, a segunda tratará da fundamentação teórica para construção desse artigo, com temas que dão ênfase a esse trabalho, dentre eles: A importância da avaliação de aprendizagem no ensino superior e os tipos de avaliação de aprendizagem no ensino superior, na terceira parte foram feita a discussão dos dados, onde foram analisados os questionários submetidos aos docentes da instituição federal de ensino superior, do curso de bacharelado em Turismo e na quarta foram feitas as considerações finais, onde serão expostos os aspectos positivos ou negativos da pesquisa.

 

POR QUE AVALIAR?

Para muitos educadores, a avaliação da aprendizagem serve como motivação para muitos discentes, além de os automotivar e melhorar as inovações no ensino. Porém alguns desafios devem ser observados. O desafio dos educadores no final de século XX era desenvolver, respeitar e avaliar as múltiplas inteligências dos alunos: lógico, matemático, lingüístico-verbal, espacial, musical, corporal- sinestésica interpessoal e intrapessoal.  (Gardner 1993).

Porém não mudou muito de um século para outro. Ou seja, o professor não deve se preocupar somente com o que o aluno aprendeu, pois os alunos vão além dessa capacidade de expor em um papel o que lhe foram ensinados. O processo avaliativo deve ultrapassar essa fronteira, onde muitas coisas devem ser observadas, como avaliar seu ajustamento pessoal e social.

Não interessa mais ao professor avaliar somente o que foi ensinado, muitos avaliam além dos aspectos cognitivos, onde as habilidades afetivas são analisadas. Precisa-se saber onde e como ele utiliza esse saber. Aí sim é um grande desafio para os educadores.

Além desse grande desafio a avaliação servirá como procedimento, onde se verifica se os objetivos educacionais estão sendo atingido. A avaliação consiste em determinar as coincidências e discrepâncias entre o que foi planejado e efetivado, ou seja, serve como um diagnóstico. Essa função diagnostica se refere à identificação do nível inicial de conhecimento dos discentes naquela área. Além de estimar possíveis problemas de aprendizagem e suas falhas.

O estudante precisa fazer valer a sua condição, exigindo ao máximo da instituição e de seus professores em prol de sue desenvolvimento pessoal e profissional e dos professores é exigida uma continua atualização em todas as dimensões de seu fazer, seja na sua área específica do conhecimento, seja na ciência pedagógica, bem como na necessidade de estar atento nas mudanças do ambiente econômico, social e cultural.

Segundo Haydt (2002), avaliar é atribuir um julgamento ou apreciação a alguma coisa ou de alguém com base em uma escala de valores. Logo a avaliação se faz importante dentro do processo educacional, pois através dela, dados são coletados e interpretados perante o aluno.

Nesse mesmo contexto ainda se indagam: Por que avaliar? A resposta é simples, se avalia para se ter conhecimento do potencial dos alunos, se realmente foi aprendido o que foi exposto, discutido e debatido dentro ou fora da sala de aula. Além de servir como controle, onde se controla os meios e as frequências dos resultados do processo ensino- aprendizagem, bem como a quantificação e qualificação desses resultados, possibilitando através dessa avaliação possíveis ajustes quanto aos seus objetivos iniciais.

Para Souza (1994) o propósito mais relevante da avaliação é o aperfeiçoamento da aprendizagem dos alunos, da atuação do professor e do programa currículo/escola. Essa avaliação deve ser ponderada, ou seja, pelo fato dela ser complexa, a mesma tem que levar em consideração alguns aspectos importantes como: ser útil, justa, sistemática, contínua e integral.

Como resultados do processo de avaliação são vários, dentre eles podemos citar: o aperfeiçoamento da aprendizagem dos discentes, atuação do professor, melhoria no processo educacional. Todos esses benefícios se dão por conta do processo avaliativo, sendo assim não tem como não observarmos a importância da avaliação dentro desse processo. Avaliação e aprendizagem andam juntas. Mesmo sabendo que esta ainda se torna um grande desafio para aquela.

BREVE RELATO DO NOVO CENÁRIO DECORRENTE DA REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA.

Com a chegada da tecnologia, encontramos uma sociedade com característica que em nada se assemelham às do passado. Nessa sociedade, a competitividade é uma marca muito visível, a disputa é muito grande, vence o melhor, o mais preparado, o mais ágil, o mais criativo.

As informações estão em toda parte e são acessíveis a todos e a escola é apenas um dos locais onde se aprende e se adquirem informações, daí a necessidade de rever a sua função, redefinir o seu trabalho considerando essa nova realidade social.

Os meios de produção e serviço na sociedade do conhecimento pressupõem que os profissionais sejam mais qualificados e capazes de assumir responsabilidades, tomar decisões, buscar soluções para problemas que decorrem durante o processo de produção.

A educação deverá rever o significado social do trabalho escolar na época atual, equacionando corretamente as novas demandas e avaliando a sua eficácia para proporcionar melhor qualidade de vida a todos os homens.

A transformação que se busca exige uma nova visão: mais criativa, menos acomodada, mais participativa, mais ética, mais democrática e tecnologicamente mais exigente. Requer, portanto, a preparação de profissionais dinâmicos, professores e administradores escolares capazes de promover e conduzir as mudanças necessárias. (VIEIRA e ALMEIDA, 2003, p.30).

É necessário que o professor seja preparado para desenvolver algumas competências, como por exemplo, estar aberto a aprender, a partir de temas de interesse dos alunos, promover o desenvolvimento de projetos, assumir atitude de investigador do conhecimento e da aprendizagem do aluno, propiciando a reflexão. A formação de professores capazes de utilizar tecnologias na educação, portanto, exige não apenas o domínio dos recursos, mas uma prática pedagógica reflexiva, que contemple o contexto de trabalho do professor. 

FORMAÇÃO E PRÁTICA PEDAGÓGICA INOVADORA

É importante analisar a prática pedagógica do professor, levando em conta os valores que ele traz consigo, as condições determinantes de sua existência e a concepção político pedagógica que norteou seu processo de formação.

Não se pode apreender sua prática apenas pelos comportamentos que demonstra em sala de aula, e sim compreender que as intervenções do docente na “escola” representam um momento de uma dimensão muito maior, de sua práxis como sujeito histórico e determinado.

De acordo com a realidade atual, faz-se necessário formar professores comprometidos com as mudanças estruturais da sociedade capitalista e não seguindo o modelo tradicional de ensino, que resume o processo educativo à simples transferência de conhecimentos e a meros reprodutores de ideias e valores:

Este conjunto de preocupações sobre a forma como deve se processar a formação do professor não deve, no nosso entender, ser restrito aos momentos de vivência acadêmica, seja no curso pedagógico ou no ensino superior, pois a busca de formar um profissional crítico, competente e comprometido com a transformação social deve estar presente, também em ações posteriores como as capacitações. (Oliveira 1997, p. 89)

 

Cabe ao docente trabalhar de acordo com a realidade social em que vive o seu aluno, pois a falta de preocupação em perceber quais as suas necessidades faz com que o professor contribua para a reprodução da desigualdade social.

Para isso, é interessante que consideremos algumas características para formar novos professores, como por exemplo, as atitudes de desmistificação do computador, diminuição da resistência à tecnologia educacional e a quebra do ceticismo em relação às contribuições do computador na educação.

Observa-se que o professor em determinadas vezes nada mais é que um mero executor de atividades preestabelecidas por um especialista que é concebido como detentor dos conhecimentos essenciais e que devem direcionar as ações dos docentes em sala de aula.

Esta fragilidade do professor em articular o processo de ensino-aprendizagem com os interesses político-sociais é um tipo de tática utilizado pelas classes dominantes para deter o avanço da luta política dos dominados. O ideal é que permitam que este rompa com a prática tradicional, surgindo a partir daí um novo profissional.

É importante ressaltar que um dos mecanismos é a capacitação. Visto que no momento em que ele está sendo capacitado, o docente apropriará do que é realmente necessário ao desempenho de uma ação criativa, crítica e transformadora.

Entende-se que de acordo com a utilização do computador no ensino, os cursos de capacitação contribuirão para que o professor possa inserir-se nessa nova realidade da faculdade/universidade no qual irá beneficiar a todos os componentes do processo ensino-aprendizagem. Além de tornar-se capaz de avaliar os melhores programas e a maneira de empregar essa tecnologia como um novo recurso didático que possa contribuir na melhoria da qualidade do ensino.

Ao abordar os princípios norteadores para capacitação dos docentes, Valente afirma que um dos problemas apresentados no curso de capacitação é a fragmentação entre o conhecimento na informática e o conhecimento pedagógico. Para solucionar essa problemática Valente (1993, p. 116. apud OLIVEIRA, 1997, p. 101) traz alguns princípios que norteiam a realização desses cursos:

  1. A utilização da informática em educação não significa a soma de informática e educação, mas a integração de ambas. E para consolidar essa integração, é necessário o domínio das partes que estão sendo integradas.
  2. A capacitação não deve propiciar a aquisição de técnicas ou metodologias de ensino, mas conhecer profundamente o processo de aprendizagem.
  3.  A formação deve promover ainda situações onde os docentes possam praticar o que aprendem no decorrer do curso, criticar e refletir sobre sua prática baseado na reflexão e nos conflitos vividos desenvolvendo assim habilidades e atitudes para superar as possíveis dificuldades na prática docente.

Dessa forma, são desenvolvidas estratégias que promovam o acompanhamento do rápido avanço da informática tanto no que se refere aos equipamentos, como aos programas e às utilizações provenientes da evolução tecnológica. Além de permitir aos professores acompanharem as modificações no mundo da informática. 

MEDIADOR: A NOVA POSTURA DO PROFESSOR.

O computador não vem para substituir a figura do professor, porém o professor deve assumir o papel de mediador entre o aluno e os conhecimentos oferecidos pelo computador. Contudo, para que esse envolvimento se realize com sucesso, o professor deve ter em mente que durante a construção dos saberes, o aluno é a peça principal desse processo, ou seja, as metodologias utilizadas pelo professor em sala de aula devem ser voltadas para que os alunos construam seus próprios conhecimentos.

A informática vem para colocar o professor e o aluno como sendo coadjuvante dentro do processo de ensino-aprendizagem, transformando ambos em células primordiais da aprendizagem, ou seja, o aprendiz depende do mestre e o mestre também é dependente do aprendiz. Sendo assim, ambos são responsáveis e parceiros dentro da sala de aula, pois as ações realizadas por um terá interferência direta na aquisição dos conhecimentos do outro, havendo uma co-responsabilidade desses dois agentes.

Deste modo, é necessário que se crie um clima de respeito e confiança mutua, pois os conteúdos proposto pelo professor, poderá ser facilmente refutados pelo aluno, desde que esse realize pesquisas mediadas pelo computador, podendo haver em certos momentos o embate entre os conhecimentos oferecidos pelo professor e os conhecimentos que o aluno adquiriu com o uso do computador.

Para que esse embate seja o menos prejudicial possível, é necessário que o professor detenha um conhecimento profundo do que pretende apresentar nas suas aulas, pois com o computador os alunos têm condições de adquirir conhecimentos dos mais diversificados lugares, podendo até mesmo questionar os ensinamentos apresentados pelo professor.

Por mais que o computador e a informática sejam excelentes ferramentas pedagógicas, o professor não pode e nem deve ficar preso a este, ele deve buscar dinamizar de forma criativa cada uma de suas aulas para que estas não caiam na rotina, nem tão pouco leve os seus alunos a uma posição de desinteresse e voltem a se acomodarem. O professor deve levar seus alunos a realizar estudos nas mais variadas fontes de pesquisa, estimulando-os a buscarem informações nos mais variados lugares e não só no computador.

Diante disto, o professor deve assumir uma postura de dialogo com seu aluno, respeitando os seus conhecimentos adquiridos com o auxilio ou não do computador, respeitando sempre a individualidade de cada aluno, conscientizando que cada aluno aprende de forma diferente e absorve os conteúdos de modos e em tempos variados (diferentes). 

A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO ENSINO SUPERIOR

Dentre os maiores questionamentos e desafios das IES tanto públicas como privadas no contexto da Avaliação Institucional, estão à avaliação Institucional e da aprendizagem.

Uma das maneiras de se avaliar o ensino superior brasileiro se dá através do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes -ENADE. O mesmo é um instrumento de avaliação que faz parte de um sistema que busca avaliar cursos e instituições e que, para fazê-lo, utiliza-se também, mas não só, das informações geradas pelos estudantes.

Nos tempos atuais, muitas IES tem sentido no processo de avaliação um grande desafio. Pois como podemos avaliar o conhecimento de um aluno através de uma prova escrita ou simplesmente oral? O que se percebe é que diante de processos avaliativos, é que o corpo docente passa e redireciona,  devido às circunstâncias, o seu modo de avaliar o aluno e também o sentido da sua profissionalização.

De acordo com Esteban (2001, p. 9) “A avaliação educacional é parte fundamental do processo educacional que se não estivesse inserida nele seria incompleto ou sem significado”. Por isso nenhuma escola ou nenhum curso pode deixar de tê-la mesmo que seja indesejável a sua existência para maioria dos alunos e de professores.

No caso das IES, essa avaliação torna-se necessária e fundamental, diante do processo ensino aprendizagem. Porém o corpo docente precisa deixar de lado muitas maneiras do passado, pois diante de tantas tecnologias o professor tem que saber inovar, para que o aluno nos dias de avaliação não se preocupe apenas em decorar conteúdos e sim transmitir seu conhecimento generalizado.

Uma maneira ideal seria a instigação do aluno a pesquisa. Pois de acordo com Paoli (1986):

no ensino de graduação é preciso incorporar a ideia de concepção do ensino com a pesquisa, pois nesse momento há mais que uma simples avaliação de conhecimento, há também uma preocupação com o processo de produção do conhecimento.

Uma avaliação preocupada com a transformação social deverá estar atenta aos modos de superação do autoritarismo, estimulando o estabelecimento da autonomia do educando. A visão transformadora que se tem da avaliação diagnóstica e formativa, requer uma tomada de decisão que visa a superação do autoritarismo docente e o estabelecimento da autonomia do educando. Ambos, assim, se tornam sujeitos do processo em que crescem juntos e em que os “argumentos de autoridade” já não valem. Ou seja, maneiras arcaicas de avaliação já não têm espaço na contemporaneidade.

 TIPOS DE AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM NO ENSINO SUPERIOR

De início deve ser abordado o significado das palavras avaliar e avaliação. Avaliar significa: determinar o valor, o preço, a importância de alguma coisa e avaliação ato de avaliar, seu efeito. A partir desse conceito pode-se afirmar que a avaliação do corpo discente pelo docente é algo muito complexo e ambíguo. Verificar a aprendizagem através de provas, testes e trabalhos é uma didática simplificada do professor, ou seja, simplesmente quantitativa, onde a mesma deverá sistêmica, através de um conjunto de fatores que possam chegar a um resultado satisfatório.

Muitos estudiosos dizem que o corpo discente é avaliado através do docente, sendo que o desempenho do aluno depende muito do desempenho do professor. Nesse aspecto a avaliação que cabe ao processo educativo vai além do desempenho do aluno, o professor tem uma parcela de participação na sua avaliação.

De acordo com Piletti (1987:190):

Avaliação é um processo contínuo de pesquisas que visa interpretar os conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos, tendo em vista mudanças esperadas no comportamento, propostas nos objetivos educacionais, a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas do planejamento do trabalho do professor e da escola como um todo.

Essa avaliação no processo educativo deve ser sistêmica, abrangente, contínua, levando em consideração todos esses fatores, fazendo-se uma análise para se obter um resultado final em relação ao aluno.

De acordo com Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 9.394, de 20/12/1996), no item V, do art. 24  a  avaliação  é  contemplada, diretamente:

“Art.24. A educação básica, nos níveis fundamentais e médios, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: V – a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) a avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar;possibilidade de avanços nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado.

Ainda se tratando de LDB A avaliação também aparece no Art. 13 entre as responsabilidades dos docentes principalmente nos itens III a V. Outros aspectos podem ser também inter-relacionados à avaliação, demonstrando quão ela é significativa na função docente. A seguir in verbis todos os itens:

“Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:

I – participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;

II – elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do      estabelecimento de ensino;

III – zelar pela aprendizagem dos alunos;

IV – estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento;

V – ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, á avaliação e ao desenvolvimento profissional.

VI- colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.”

Nos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) onde se fala sobre o processo de avaliação do aluno, ressalta que essa avaliação deve ser contínua e sistematicamente por meio da interpretação do qualitativo do conhecimento construído pelo aluno. Porém a mesma só poderá ser realizada, de acordo com as oportunidades oferecidas as situações didáticas pedagógicas.

De acordo com o documento a avaliação pode subsidiar o professor com elementos para uma reflexão contínua sobre a sua prática, sobre a criação de novos instrumentos de trabalho e a retomada de aspectos que devem ser revistos, ajustados ou reconhecidos com adequados para o processo individual ou de todo grupo.

Já para o aluno, é o instrumento que serve de tomada de consciência de suas conquistas, dificuldades e possibilidades para reorganização de seu investimento na tarefa de aprender.

Toda avaliação depende da ação pedagógica do corpo docente, pois através dela é que há uma interação entre o processo de ensinar e aprender. O aluno além de se preocupar com a nota, ele se preocupa com a construção do seu conhecimento, da sua aprendizagem. Nesse caso necessita-se de um aluno capaz de pensar, de transitar nas suas ideias e de construir alternativas para a sua realidade.

Nesse contexto a avaliação tem como aspectos positivos a questão sistêmica, avaliar o aluno como um todo e não somente quantitativamente, ela também favorece os aprendizes a se policiarem, ou seja, a tomarem atitudes que vão de encontro a sua formação, ao seu aprendizado, pois através deste mecanismo didático, os discentes têm consciência da sua importância e que faz parte do seu processo de ensino aprendizagem. Não há formação, sem uma avaliação.

Sendo assim, a avaliação dos alunos pelo professor designa o levantamento cuidadoso e a classificação sistemática, bem como a interpretação apreciativa dos modos de conduta e das propriedades dos alunos, que são de fundamental importância para a melhoria das atividades escolares e educativas.

Deverá haver, portanto uma observação prolongada do comportamento do aluno durante o ensino e o convívio, no levantamento sistemático de dados por meio de testes e trabalhos escritos, no levantamento de dados (no lar, evolução e desenvolvimento) e no diálogo  pessoal  com  o aluno.

O aprendizado por si só é fundamental para a construção de autonomia do aluno, cabendo ao professor adotar meio para que a disciplina ministrada atinja os objetivos propostos, sendo a avaliação um desses meios.

Apesar de que dentre todos os desafios apresentados pela avaliação institucional às IES brasileiras a avaliação da aprendizagem com certeza é um dos principais desafios, pode até não ser o principal, pois através dela, a IES é observada e analisada no que diz respeito à qualidade educacional, pois o resultado do aluno, ainda é espelho de um professor.

ANÁLISE E BREVE DISCUSSÃO DOS DADOS

Atualmente esse curso de bacharelado em Turismo que foi utilizado para a pesquisa conta com 13 professores efetivos, sendo deles 7 bacharéis em Turismo com suas respectivas pós-graduações e somente esses 7 professores que responderam aos questionários, ou seja, 53,84%.

Dentro do questionário foram feitas 10 perguntas com alternativas de respostas, dentre elas qual o grau de importância da Avaliação de aprendizagem para as Instituições de Ensino Superior foi questionado, além de saber se através dessa avaliação o professor pode avaliar o grau de aprendizagem do aluno. Assim como se a Avaliação de Aprendizagem é uma ferramenta construtiva para motivação do aluno e também se ela serve para melhorar e inovar o ensino.

Dentre as respostas obtidas, quase 100% dos que responderam falaram que é muito importante a Avaliação da aprendizagem dentro das Instituições de Ensino Superior.  Porém, de acordo com as respostas existe uma necessidade que esses educadores tenham já na sua formação uma nova prática em termos de avaliação além das provas escritas.

Todos os 100% concordaram que através da avaliação, podem-se obter indicadores de qualidade satisfatório dentro do curso de Bacharelado em Turismo, além de acharem que a avaliação da aprendizagem é um grande desafio a ser enfrentado dentro do curso e principalmente nas Instituições de Ensino Superior, pois de acordo com Vasconcellos (2000, p. 84),  “as experiências que os futuros educadores têm no seu processo de formação são fundamentais para suas posturas posteriores, na prática da sala de aula”, ou seja, vai além da prova escrita, outros métodos como trabalhos, aulas práticas e visitas  campo servem como avaliação de aprendizagem. Aliado a isto todos ainda concordaram que ela é uma ferramenta construtiva para motivação do aluno e serve para melhorar e inovar o ensino.

Ao serem indagados se o processo de Avaliação é discutido nas pautas das reuniões do curso, apenas dois responderam afirmativo. Mesmo não sendo discutido nas reuniões o processo de avaliação acontece de várias maneiras dentre elas através de provas, seminários, trabalhos em grupos e individuais, até a participação do aluno foi citado nesse processo.

Medir o grau de aprendizagem do aluno através da Avaliação da Aprendizagem foi outro questionamento feito para os docentes, os mesmos responderam que através da mesma dá sim para medir esse aprendizado, porém um discordou e afirmou que é muito difícil fazer isso, pois a avaliação é uma questão que envolve diferentes aspectos e outro simplesmente não respondeu. Mas é certo que a mesma em consonância com uma prática docente reflexiva, contribui para um melhor processo de avaliação do aluno.

A avaliação da Aprendizagem para muitos docentes deve ser sistêmica e complexa, como cita Cunha (1998,p.32) onde ele diz que:

a questão da avaliação deve ser  complexa e pode estar a revelar uma certa incompreensão dos objetivos da proposta (inovadora) por parte dos alunos e/ou uma certa indefinição quanto à forma e ao modo de avaliar numa proposta diferente por parte do professor.

Ou seja, ambos buscam o novo. Professor avalia e o aluno preocupa-se em obter bons resultados. Porém para os professores que contribuíram para essa pesquisa, 57,1% acreditam que a mesma não necessariamente precisa ser dessa maneira. Podendo até ser feita através de situações de comunicação como a dramatização e participação.

Segundo Vasconcellos (2000, p. 44), o ato de avaliar não pode ser deixada de ser discutido, pois:

A avaliação é um processo abrangente da existência humana, que implica uma reflexão crítica sobre a prática, no sentido de captar seus avanços, suas resistências, suas dificuldades e possibilitar uma tomada de decisão sobre o que fazer para superar os obstáculos .

Desse modo, qualquer maneira de avaliação é válida, se tratando do ensino superior também, pois ela poderá ser uma ferramenta favorável para a qualidade na educação. De acordo com os questionários analisados a avaliação de aprendizagem no curso de bacharelado em turismo da instituição federal estudada, se dá de foram complexa, utilizando as mais inovadoras avaliações, além de ser um grande desafio, pois o corpo docente deve deter de meios para promover um processo de ensino e aprendizagem que permita ao aluno desenvolver seu senso crítico, trabalhar sua criatividade e sua capacidade de relacionar os conhecimentos das diversas disciplinas do curso com a profissão que pretende seguir.

Sendo assim a prática avaliativa não deve ser entendida como um meio de classificar e de comprovar o rendimento do aluno, e sim, como um instrumento para mostrar a qualidade do próprio ensino e sua responsabilidade nas mudanças pelas quais o aluno passou durante seu processo de formação. (PAIVA, 2002).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sabe- se que a avaliação da aprendizagem é um processo complexo, onde IES, alunos e professores fazem parte deste contexto. Todos fazem parte de um processo de ensino e da organização acadêmica.

Torna-se necessário para este grande desafio aplicar diferentes estratégias e técnicas onde, os resultados da aplicação dessa avaliação sirvam par a melhoria e desempenho do que está sendo avaliado.

Quando o corpo discente é avaliado através dos professores quer seja da modalidade básica ou superior, esse ator principal deve está apto a entender que a avaliação da aprendizagem está intrínseca no processo de ensino aprendizagem, onde se ela não existisse a esse processo de ensino aprendizagem se tornaria incompleto e sem acepção. Por isso nenhuma instituição de educação pode deixar de tê-la.

Os avaliados fazem parte de uma cadeia educacional que através dos resultados podem vir a contribuir para renovações no modelo de avaliação institucional e educacional, pois podem nesse sentido propiciar o aperfeiçoamento de cursos, instituições a até mesmo da metodologia do corpo docente. As necessidades emergenciais podem vir a ser atendidas.

Muitas IES podem através da Avaliação da Aprendizagem, obter indicadores de qualidade dentro do curso. Esse curso de Bacharelado em Turismo estudado é recente, surgiu em 2006, e através das metodologias de avaliação utilizadas pelos professores conseguiu além de motivar muito alunos para melhorarem seu desempenho, contribuir para aumentar a qualidade dentro do curso, com bons resultados dos alunos.

A avaliação da aprendizagem mesmo sendo muito importante para as IES, ela ainda é considerada um grande desafio para as mesmas. Pois muitos docentes afirmam que apesar das metodologias utilizadas, ainda assim não se tem cem por cento de certeza que através dela o ensino do aluno possa ser medido.  Nesse contexto ela pode ser considerada complexa, inovadora e pode ser também uma ferramenta construtiva para motivar o aluno e melhorar a qualidade do curso.

O aluno pode através da Avaliação da Aprendizagem se sentir motivado a sempre melhorar, visto que várias maneiras são utilizadas para se conseguir bons resultados em relação à mesma.

A avaliação é uma importante ferramenta de estímulo para o estudo, tanto para alunos como para professores, uma vez que sua principal utilidade é apontar os erros e acertos no processo de ensino aprendizagem. Esse tipo de avaliação é basicamente um orientador dos estudos e esforços no decorrer desse processo, pois está muito ligada ao feedback que permite identificar deficiências e reformular seus trabalhos, visando aperfeiçoá-los em um ciclo contínuo e ascendente.

Em suma a avaliação da aprendizagem, por ser complexa, deve ser implementada no início do planejamento pedagógico da gestão, podendo assim enumerar as necessidades dos alunos e objetivos da instituição, pois só assim através de uma avaliação se chegará aos resultados necessários para eventuais mudanças e melhorias educacionais.

Ainda se falando em avaliação em foco no Curso de Bacharelado em Turismo, através da metodologia utilizada pode se observar que a mesma tem pontos positivos baseados em autonomia, autoria, metodologias diferentes e ousadas e ainda aponta a importância da avaliação de forma completa e contínua.

A avaliação da aprendizagem se torna aliada nesse contexto, pois com ela a gestão poderá observar os resultados e montar estratégias para uma educação eficaz e eficiente e também uma propulsora para uma qualidade de educação satisfatória. 

REFERÊNCIAS

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CUNHA, M. I. 1992. O bom professor e sua prática. Campinas: Papirus,

ESTEBAN, M. T. (org.) 2001. Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. Rio de Janeiro: DP & A.

GARDNER. H. 1993. Multiple intelligences: the theory in practice. New York: Basic Book.

HAYDT, R. C. 2002. A avaliação do processo ensino- aprendizagem. São Paulo, Ática.

PAIVA, Luiz Fernando Ribeiro de. 2002. O emprego da avaliação emancipatória na universidade. In: FELTRAN, R. C. S. (Org.). Avaliação na educação superior. São Paulo: Papirus, (Coleção Magistério: Formação e Trabalho pedagógico).

PAOLI, Niuvenius. 1985. Para repensar a universidade e pós graduação. Campinas. Ed.UNICAMP.

PILETTI, C. 1987. Didática geral. São Paulo, Ática.

OLIVEIRA, Ramon de. 1997. Informática educativa: dos planos e discursos à sala de aula. Campinas, SP: Papirus.

SOUZA. Vera Tavares de. 1994. Ensaio Avaliação de Políticas Públicas de Educação. Rio de Janeiro. Vol. 1.

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. 2000. Avaliação: concepção dialética-libertadora do processo de avaliação escolar.  11. ed. São Paulo: Libertad.

VIEIRA, Alexandre Tomaz, ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianca e ALOSON, Myrtes. 2003. Gestão educativa e tecnologia. São Paulo: Avercamp.

Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Pereira Barbosa de Oliveira, Andréa y Costa Perinotto, André Riani: "Avaliação de aprendizagem em curso de bacharelado em turismo: estudo de caso de uma instituição federal de ensino superior do nordeste brasileiro" en Atlante. Cuadernos de Educación y Desarrollo, diciembre 2013, en http://atlante.eumed.net/avaliacao-aprendizagem/

Atlante. Cuadernos de Educación y Desarrollo es una revista académica, editada y mantenida por el Grupo eumednet de la Universidad de Málaga.